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21 de out de 2018

Guerlain Iris Ganache - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

É difícil saber se a Guerlain cometeu uma decisão precipitada ao descontinuar Iris Ganache em 2012. Lançado em 2007, 5 anos é o tempo suficiente para que se tenha uma boa noção da rentabilidade comercial de um perfume para saber se vale a pena continuar produzindo ou não. Porém, alguns perfumes demoram justamente esse tempo para se tornar um ícone e começar a vender, o ponto onde as pessoas o descobrem e passam a comprá-lo.O fato é que Iris Ganache se tornou cobiçado e amado a ponto de após 2017 seus dois lotes de relançamento terem esgotado rapidamente. Certamente seu aroma gourmand powdery é desejo de consumo de muitos.

Iris Ganache marcou a entrada de Thierry Wasser como perfumista da Guerlain em 2007 e foi nesse mesmo ano que o perfumista fez outra de suas belíssimas criações para a marca, Quand Vient La Pluie. Ambos parecem estudos de Thierry Wasser sobre os clássicos da marca, sobre a assinatura olfativa da Guerlain e em como torná-la contemporânea em diferentes direções. Para esses dois é como se o perfumista tivesse se dedicado a uma das obras-primas da marca, Aprés L'Ondée.

Ao passo que Quand Vient La Plueie é como se fosse uma aquarela minimalista da mesma temática de Aprés L'Ondée para mim Iris Ganache é uma visão expressionista da temática de iris e heliotropo de Aprés L'Ondée. É como se o aroma delicado e melancólico da iris e a delicadeza amendoada do heliotropo ganhassem vida sobre uma coloração rosa neon e gustativa. É uma forma curiosa de tirar o aroma do absoluto de iris da melancolia e criar um ar boêmio chic para ele.

Por mais que Iris Ganache seja doce e seja gourmand ele não é um perfume açúcarado ao extremo. Ele é certamente marcante, porém sempre equilibrado. Sua saída é potente e mostra que ele veio para a festa e para ser notado: há combinação doce, quente e intensa que parece emanar canela, jasmim, chocolate branco e frutas silvestres. Elas são trazidas para um ar mais clásssico e nostálgico com a iris, que aliás certamente é a de verdade, pois é possível notar as nuances terrosas e vegetais que o absoluto de orris possui. Esse contraste entre moderno e clássico, melancólico e otimista é o que torna Iris Ganache tão interessante. O perfume é bem dosado também, de forma que passando a saída impactante gourmand seu aroma se torna mais confortável, mostrando os contornos amendoados e de cereja que remetem ao Aprés L'Ondée e as nuances mais ambaradas e amadeiradas que sustentam o perfume na pele de uma forma mais sóbria. Talvez por ser tão intenso nos primeiros momentos seu aroma demorou para pegar com o público da marca, mas no cenário atual onde performance importa cada vez mais seu aroma é capaz de trazer isso com inteligência e conteúdo e foi uma decisão acertada da marca trazê-lo de volta.

English version

It's hard to know if Guerlain made a rash decision by discontinuing Iris Ganache in 2012. Launched in 2007, 5 years is enough time to have a good sense of the commercial profitability of a perfume to see if it is worth continuing to produce or not . However, some perfumes take just this time to become an icon and start selling, the point where people discover it and start to buy it. The fact is that Iris Ganache became coveted and loved to the point that after 2017 his two lots of re-launching were quickly depleted. Certainly its powdery gourmand aroma is a desire of many people.

Iris Ganache marked the entry of Thierry Wasser as a perfumer of Guerlain in 2007 and it was that same year that the perfumer made another of his beautiful creations for the brand, Quand Vient La Pluie. Both look like Thierry Wasser's studies of the brand's classic Guerlain's signature olfactory and how to make it contemporary in different directions. For these two it is as if the perfumer had dedicated himself to one of the masterpieces of the brand, Aprés L'Ondée.

Whereas Quand Vient La Plueie is like a minimalist watercolor of the same subject of Aprés L'Ondée for me Iris Ganache is an expressionist vision of the theme of iris and heliotrope of Aprés L'Ondée. It is as if the delicate and melancholy aroma of the iris and the almond delicacy of the heliotrope came to life on a neon pink and gustative color. It's a curious way of taking the scent of the iris absolute out of melancholy zone and creating a chic bohemian air for it.

As much as Iris Ganache is sweet and gourmand it is not a sugared perfume to the extreme. It is certainly overwhelming but always balanced. Its output is potent and shows that it came to the party to be noticed: there is a sweet, hot and intense combination that seems to emanate cinnamon, jasmine, white chocolate and berrie fruits. They are brought into a more classic and nostalgic air with the iris, which is certainly indeed the real one because it is possible to notice the earthy and vegetable nuances that the orris absolute has. This contrast between modern and classic, melancholic and optimistic is what makes Iris Ganache so interesting. The fragrance is well balanced too, so that passing the gourmand impacting of the opening its aroma becomes more comfortable, showing the almond and cherry contours that links to Aprés L'Ondée and the more amber and woody nuances that support the perfume on the skin in a more sober form. Perhaps for being so intense in the first moments its aroma took time to catch with the audience of the brand, but in the current scenario where performance matters more and more its is able to bring this with intelligence and content and it was a wise decision of the brand to bring it back.