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21 de out de 2018

Guerlain Joyeuse Tubereuse - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

A perfumaria como assunto é feita de ciclos e as tendências costumam ir e vir depois que passa o período de saturação de uma determinada ideia. Se no começo da década de 2000 a rosa teve sua popularidade reestabelecida com o lançamento de Stella McCartney nos últimos anos é possível perceber uma renovação da Tuberosa em novas criações que miram em seu aroma exuberante e marcante. Eu apontaria o perfume Carnal Flower de Frederic Malle como um responsável por isso, talvez não imediatamente quando lançado em 2005 mas como um benchmarking de que perfumes de Tuberosa eram viáveis novamente e que superaram sua imagem dos excessos dos anos 80.

Tentando surfar nessa tendência a Guerlain propõe pela segunda vez a criação de um perfume ao redor da temática da Tuberosa. A primeira vez foi um grande desastre comercial com Mahora, um perfume pesado nos aspectos mais difíceis da flor e que se encaixaria perfeitamente na década de 80 e seus exageros e não na década de 2000. Em Joyeuse Tubereuse a marca tenta ir numa direção oposta a do Mahora, capturando a delicadeza do aroma sensual que a flor exala no ambiente.

Para mim, o problema de Joyeuse Tubereuse é justamente o oposto de Mahora: ao passo que um pesava a mão no que faz uma tuberosa clássica no outro falta ousadia para que seja possível reconhecê-lo como uma Tuberosa. Vejo seu aroma mais como uma bela interpretação do cheiro do Lírio, desprovido do aspecto indólico e mais animálico da flor e também desprovido de suas facetas canforadas. O toque verde e frutado quase beira o aroma funcional, entretanto um bom acorde ou extração de Lírio é o que dá a elegância aqui, combinado à uma base que sugere uma cremosidade aconchegante de baunilha e musks acompanhada por vetiver. Joyeuse Tubereuse também destoa em termos de personalidade do resto da linha e soa quase como um Aqua Allegoria mais luxuoso, o que certamente não é algo que eu compraria mas que eu vejo com um público potencial. Particularmente é um dos menos interessantes/empolgantes da linha.

English version

Perfumery as a subject is made up of cycles and tendencies that usually come and go after it passes the saturation period of a certain idea. If in the early 2000's the rose had its popularity reestablished with the release of Stella McCartney in recent years it is possible to see a renewal of Tuberose in new creations that look at its exuberant and striking aroma. I would point out Frederic Malle's Carnal Flower perfume as responsible for this, perhaps not immediately when released in 2005 but today as a benchmark showing that Tuberose perfumes were profitable again and that outweighed their image of the 80's excesses image.

Trying to surf in this trend Guerlain proposes for the second time the creation of a perfume around the theme of Tuberose. The first time was a major commercial disaster with Mahora, a heavy perfume in the most difficult aspects of the flower and that would fit perfectly in the 80's and its exaggerations but not in the decade of 2000. In Joyeuse Tubereuse the brand tries to go in the opposite direction of Mahora, capturing the delicacy of the sensual aroma that the flower exudes in the environment.

For me, the problem of Joyeuse Tubereuse is exactly the opposite of Mahora: while one weighed its hand in what makes a classic tuberosa in the other lack boldness so that it is possible to be recognized as such a flower. I see its scent more like a beautiful interpretation of the Lily's scent, devoid of the indolicized and most animalic aspect of the flower and also devoid of its camphor facets. The green and fruity touch almost borders the functional aroma, however a good accord or extraction of Lily is what gives the elegance here, combined to a base that suggests a cozy creaminess of vanilla and musks accompanied by vetiver. Joyeuse Tubereuse also doesn't match the personality in the rest of the line and sounds almost like a more luxurious Aqua Allegoria, which certainly is not something I would buy but that I see with a potential audience. Particularly it is one of the least interesting / exciting of the line.