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21 de out de 2018

Guerlain Spiritueuse Double Vanille - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

É curioso que tenha demorado tanto tempo para a Guerlain fazer um perfume inspirado em uma de suas musas, a baunilha.Desde o primeiro perfume moderno da marca, Jicky, a baunilha faz parte da palheta de aromas da marca integrando com outras notas o acorde Guerlinade que aparece em maior ou menor evidência em várias criações. Um dos perfumistas da marca, Jean Paul Guerlain chegou até a afirmar que "raramente há um bom perfume sem baunilha".

Com o lançamento em 2007 e em edição limitada Spiritueuse Double Vanille(SDV) finalmente honrou uma das notas mais celebrados da marca e seu sucesso foi tamanho que logo foi incorporado a linha L'Art Et La Matière.É possível perceber o quão fácil é a combinação com toques de bebida, pimenta, madeira e incenso se tornar popular sem ser enjoativa.

Em perfume estamos acostumados a conhecer a baunilha apenas pelo seu aroma químico principal, a vanilina, e assim conhecemos o lado cremoso e fofo dela. No máximo a percebemos açúcarada e com cheiro de bala tic-tac quando é usado a versão mais potente da vanilina, a etil-vanilina. Mas o fato é que a combinação de outros elementos aromáticos é o que conferem o aroma erótico e viciante das favas de baunilha e de sua tintura e em SDV temos justamente uma chance de perceber isso.

A saída é um dos momentos mais curiosos do perfume, pois em vez dele ir direto para o aroma denso da baunilha o perfume põe em evidência um aroma de rum que forma uma dissonância com um toque apimentado e um aroma amadeirado seco de cedro. Conforme o perfume evolui o aspecto mais floral e carnal da doçura da baunilha se revela com o seu lado negro, quente e sutilmente animálico. O perfume me parece exalar de forma dual, mostrando em alguns momentos o aroma mais amadeirado e levemente doce da saída e em outros o lado mais carnal e quente da baunilha. As vezes um toque de ylang e jasmim confere um lado ainda mais floral ao coração, mas nada que tire o perfume de seu território gourmand licoroso. É uma criação simples e complexa e que exalta sua musa de maneira adequada. É um convite a baunilha para ambos os sexos.

English version

It is curious that it took Guerlain a long time to make a perfume inspired by one of its muses, the vanilla. From the first modern perfume of the brand, Jicky, the vanilla is part of the palette of aromas of the brand integrating with other notes the Guerlinade accord which appears in greater or lesser evidence in various creations. One of the perfumers of the brand, Jean Paul Guerlain went so far as to say that "there is rarely a good perfume without vanilla".

With the launch in 2007 as a limited edition Spiritueuse Double Vanille (SDV) finally honored one of the most celebrated notes of the brand and its success was such that soon was incorporated to the line L'Art et La Matière. It is possible to realize how easy it is the combination with touches of boozy aromas, pepper, wood and incense become popular without being cloying.

In perfumes we are accustomed to know the vanilla only by its main chemical aroma, vanillin, and thus we know the creamy and fluffy side of it. At most we perceive it as sugared and with a tic-tac candy aroma when using the most potent version of vanillin, ethyl vanillin. But the fact is that the combination of other aromatic elements is what gives the erotic and addictive aroma of the vanilla beans and their tincture and in SDV we just have a chance to realize it.

The opening is one of the most curious moments of the perfume; instead of going straight to the dense aroma of vanilla, the perfume brings out a rum aroma that forms a dissonance with a spicy touch and a dry woody scent of cedar. As the perfume evolves the more floral and carnal aspect of the the vanilla sweetness reveals itself with its black side, one warm and subtly animalic. The perfume seems to me to exude in a dual way, showing in some moments the woody and slightly sweet aroma of the opening and in others the more carnal and warm side of the vanilla. Sometimes a touch of ylang and jasmine confers an even more floral side to the heart, but nothing that takes away the scent of its licorious gourmand territory. It is a simple and complex creation that exalts its muse in a proper way. It is an invitation to vanilla for both sexes.