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1 de out de 2018

House of Hautt Malabar - Avaliação/Resenha/Review

A dualidade é um dos descritores que Gabriel Hautt utiliza para descrever Malabar e é umas das qualidades que até o momento define a identidade da sua casa - dualidade tal que já no nome, dado que House of Hautt tanto significa a casa de sua marca como um trocadilho com a palavra Haute, indicando as intenções de fazer uma perfumaria de alta qualidade. Da mesma forma que Violette, Malabar é uma espécie de ilusão geométrica perfumada e uma criação que prefere deixar em aberto suas possíveis interpretações.

Ao mesmo tempo que Malabar é uma celebração do Couro, um aroma que Gabriel admite ser apaixonado desde adolescente, é também um perfume que celebra uma tradicional trecho da Índia que foi muito utilizado durante o período histórico da rota das especiarias. Especulo eu se não há também uma intenção em fazer uma homenagem ao circo e aos malabares, a arte de manipular objetos com destreza. É algo que certamente o perfume faz, manipulando o comercial e o artístico e entregando uma fluidez olfativa que é de fato intrigante.

De cara o perfume já mostra sua natureza fluída, seu jogo de manipulação de objetivo olfativos e conceitos. Tanto o aroma de couro como a forte presença das especiarias são notadas nessa etapa. O couro me faz pensar no aroma de objetos caros e macios de couro, com um toque suave, um leve aspecto plástico e um lado powdery e terroso de iris. Imediatamente as especiarias se juntam, com ares que vão do toque mais fresco, cítrico e canforado de cardamomo a um aroma apimentado seco e a um leve aspecto de cigarro de cravo. Ainda que não declaro, vejo as vezes a ilusão de uma lavanda aromática de alta qualidade se formando em meio ao couro e as especiarias.

Num último momento o perfume transforma o aroma de couro em algo mais cremoso e amadeirado seco, oscilando entre o aroma de baunilha, o aroma com toque camurça e o cheiro mais amadeirado e levemente úmido da combinação de cedro e musgo de carvalho. Malabar é certamente intrigante, as vezes altamente familiar (me remetendo a uma melhoria drástica em complexidade e performance do excelente Dolce & Gabbana By Man) e as vezes estranho, formando a mesma sensação de Violette de um aroma que a distância passa familiaridade mas que quando examinado de perto oferece um jogo rápido e constante de mudanças. É um começo bem forte e esperto para uma casa independente, certamente calcado em um apelo comercial mas não uma proposta vazia de sentido ou identidade.