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1 de out de 2018

House of Hautt Violette - Avaliação/Resenha/Review


Sem conhecer a fundo a pessoa, a primeira impressão que me fica pelo que é divulgado é que há duas faces de Gabriel Hautt que são reveladas tanto em sua marca, House of Hautt, como em suas duas primeiras criações, Violette e Malabar. Ao mesmo tempo que Gabriel se posiciona como um apaixonado por perfumaria com uma paixão que começa com os clássicos ele também é um homem de negócios do segmento, que começou aos 14 anos vendendo contratipos e hoje possui uma loja que busca selecionar o melhor da perfumaria comercial e de nicho. O apaixonado por perfumes e o homem de negócios parecem se misturar em suas duas criações, com uma delas oscilando mais para o comercial e a outra mais para o lado criativo.

Violette me parece uma reflexão pessoal de Gabriel com relação ao gosto da brasileira atual por uma perfumaria doce, impactante, que não abre mão do lado floral mas que quer o açúcar junto com ele. Mas o perfume parece de alguma forma brincar com isso, dado que Violette é descrito como a cor mais quente, porém a própria afirmação antevê uma crítica e vem acompanhada de uma pergunta "afinal, nos dias de hoje, o que faz mais sentido?". Eu acrescentaria uma segunda pergunta "nos dias de hoje, somos capazes de ir além das aparências?".

E é aí que está talvez a surpresa de Violette, um acorde clássico de violeta de parma e folha de violeta escondido entre uma overdose de jasmim e caramelo. Na fita Violette não é um perfume que funciona bem justamente por essa overdose, mostrando uma criação que se torna doce demais e com uma nuance de esmalte ocasionada por algum acetato que me parece fazer a ponte entre a saída frutal e o coração floral. A dominância do jasmim certamente dá o ar carnal que o conceito do perfume deseja, entretanto te leva a questionar, a princípio, onde estaria a violeta do perfume.

Focando nas nuances secundárias é que é possível perceber de fato Violette. Entre os aromas frutais e meio azedinhos da saída há uma primeira nuance meio verde que parece indicar a presença da violeta. Bem no final do perfume ou ao aquecê-lo rapidamente na pele percebe-se o toque doce e atalcado das iononas que fazem o papel da violeta dando um ar retrô. Há ainda um aroma mais amadeirado e seco de sândalo que curiosamente parece ser mascarado tanto pelo jasmim como pelo etil maltol.

Há uma certa subversão aqui que a princípio me passou batida a princípio e que ao usar o perfume me veio a cabeça. Seria Malabar uma espécie de Onde está o wally, com a violeta escondida entre a distração do jasmim e do caramelo? Ou seria então uma daquelas ilusões geométricas de um perfume que dependendo do ângulo me diz caramelo e jasmim mas que em outra perspectiva me mostra violetas e sândalo? Não há uma resposta para isso, mas a ideia talvez seja justamente essa, esconder em uma ideia comercial algo intrigante que poucos perceberão.