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2 de dez de 2018

Boticario Lily Rose e Crazy Feelings


É difícil entender o que aconteceu com o Boticário ao longo dos últimos anos. Parece que em um dos momentos mais aquecidos da disputa pelo mercado de perfumaria nacional a marca paranaense simplesmente resolveu deitar em cima do sucesso e testar até onde ia a fidelidade de seu público. Apenas recentemente a marca parece ter acordado para ir em uma direção mais prestigiosa e interessante, mas é algo que ainda é cedo para se avaliar. Entretanto, é interessante analisar o contraste entre um de seus lançamentos recentes, Love Lily, e um de seus clássicos relançados, Crazy Feelings.

Love Lily continua a narrativa da linha mais cara e prestigiosa da marca, onde a nobreza da fragrância está relacionada a utilização da técnica de enfleurage para extração do cheiro do lírio e nesse caso à combinação de 3 rosas de origens de prestígio: França, Turquia e Bulgária. O maior problema de Love Lily é que esse prestígio é muito conceitual e na pele o que perfume tem a princípio é um excelente aroma floral de sabonete de rosas. É algo que mira o delicado e sofisticado e por bem pouco não acerta o antiquado. O perfume acaba sendo salvo e ganhando personalidade com uma base gourmand muito bem executada, onde a moderação da baunilha e açúcar trás um calor elegante ao aroma ambarado e amadeirado que finaliza a composição.

Chega a ser até irônico e curioso que o clássico Crazy Feelings ofereça sofisticação e uma personalidade superior ao que Love Lily apresenta custando menos da metade dele. Um clássico querido pelas consumidoras, a fragrância volta em um belo frasco vermelho e com borrifador, o que torna a experiência muito mais agradável. O perfume não parece intacto, mas os ajustes feitos deixaram a composição ainda melhor e mais sofisticada. A modernização do aroma das rosas tirou um aspecto de sabonete que o antigo crazy feelings tinha e há até mesmo espaço para um rápido aroma animálico que dá um ar ainda mais carnal e marcante ao perfume.

A base da composição parece ter sido atualizada, ganhando um ar chypre moderno que se encaixa muito bem com o oriental ambarado que o original tinha. Talvez os musks que fazem parte da base tenham sido atualizado, o que explicaria alguns perceberem a composição como aguada. No que sinto o perfume está longe disso, pelo contrário, sua aura quente e oriental retém parte do aroma das rosas e não desaparece na pele. Se o Boticário tiver bom senso voltará a criar esse tipo de composição.