31 de jan de 2019

Avaliações Rápidas: Cartier Baiser Fou, Natura Kriska Jeans e L'Acqua di Fiori Uman


Cartier Baiser Fou: Diferente do sucesso de Baiser Voilé, a continuação proposta pela perfumista Mathilde Laurent para um beijo louco não ganhou as graças da consumidora. Em partes isso se deve a protagonista da vez, a orquídea, que é trabalhada em seu estilo mais clássico e dá uma aura retrô quase senhoril a fragrância. Isso se torna meio confuso com a parte frutada especiada da saída, que combina framboesa, pimenta rosa e uma nuance escondida de rosa para criar o aroma de batom. Quando assenta na pele o perfume se torna um delicado aroma gourmand onde o conceito de chocolate branco explora mais o aspecto cremoso da baunilha do que a doçura. É um perfume elegante e diferente, porém que não funciona para todos.

Natura Kriska Jeans: às vezes a natura e a sua perfumista me surpreendem com as declarações que fazem. Relançado em uma tiragem limitada comemorativa, Kriska Jeans é descrito como um perfume doce (!) e bastante feminino e uma fragrância confortável e versátil como um jeans. De tudo que é dito, apenas o conforto e versatilidade são precisos aqui. Esse é um perfume que encapsula bem a assinatura olfativa da Natura do passado: uma base carregada em musks e sândalo, algo que a marca usou e abusou tanto que perdeu a graça com o tempo. Entretanto aqui funciona bem e Kriska Jeans se destaca pelo aroma fresco e equilibrado de limão e bergamota. A parte mais feminina, o toque floral, tenta até dar um ar mais atalcado à fragrância, entretanto o que predomina é um floral cítrico que remete a flor de limão. Nem um pouco doce e tranquilamente compartilhável.

L'Acqua di Fiori Uman: acho curioso a descrição que a Lacqua faz desse perfume, o colocando para um homem moderno, elegante e autêntico. Dois dos fatores que me incomodam em Uman é justamente que ele soa datado e genérico ainda que elegante e bem feito. Uman parece um fougere feito no piloto automático, capturando bem a ideia de um fougere porém sem identidade - saída spicy meio herbal e medicinal, corpo de gerânio com lavanda e uma base mais amadeirada. Tudo muito competente mas tedioso ao mesmo tempo, como se a marca tivesse voltado aos anos 80 e ressuscitado algum fougere esquecido dessa época. Isso nos anos 2000 não tem nada de moderno e se hoje seu cheiro soa distinto é pq a maioria dos perfumes mais clássicos dessa linhagem morreram, pois tirando isso é uma criação bem esquecível.