31 de jan de 2019

Parum Illustrious Unknown - Avaliação/Resenha/Review

A princípio quando você olha o nome da Parum fica com a impressão de que a marca foi criada a partir de um erro de digitação da palavra Parfum. Entretanto isso não é verdade e seu dono brinca com a palavra Parfum e invoca outra palavra em Latim cujo o significado é "pouco", "em pequeno volume". A proposta da marca é fazer uma perfumaria de pequena escala, feita de forma artesanal e tirando vantagem dessa abordagem de micro-escala para propor uma perfumaria mais criativa, que prefere agradar a alguns e não a todos. Isso talvez explique o motivo pelo qual ela ainda é praticamente desconhecida até mesmo dos apaixonados por perfumes.

A ideia da marca é trabalhar criativamente em direções distintas, que no momento tem sido desenvolvidas em 3 coleções. Uma delas, a different directions, tem uma proposta que é ousada para o mercado nacional no momento: a de propor perfumes que não vão nas tendências esperadas, que não representam pessoas ou conceitos famosos. São perfumes onde a direção envolve a liberdade criativa aliada à tradição e ao uso de materiais naturais e sintéticos distintos. E isso pode ser claramente visto em Illustrious Unknown.
De certa forma o perfume é uma crítica à fixação que a perfumaria tem com figuras poderosas e famosas, propondo um perfume que ao mesmo tempo que é exclusivo é feito inspirado no usuário comum.

A escolha da família olfativa é perfeita para isso e Illustrious Unknown propõe esse ilustre desconhecido baseado na estrutura clássica de um fougere, que se por um lado é atemporal por outro se tornou anônimo de tanto que sua progressão de lavanda, especiarias, madeiras e musgo foi explorada. O perfume interpreta com maestria essa ideia de um fougere célebre e em face e entrega um excelente equilíbrio entre esses elementos. A maior surpresa para mim, entretanto, é o lado retrô que dá o toque ilustre a ele, um aroma que nos primeiros minutos para fazer alusão a um sapato de couro masculino recém engraxado, o aroma do couro se misturando com o cheiro brilhante e ceroso da graxa utilizada.

Antes que isso se torne literal o perfume entra numa fase especiada aromática e pouco a pouco vai mostrando os elementos fougeres, desde o lado mais medicinal da lavanda e o toque verde da coumarina até o aroma terroso e musgoso da base. De forma geral esse aspecto meio sem face das criações fougeres é algo que me incomoda e me faz não ver graça neles, mas aqui tudo está tão bem executado e em tal qualidade que o perfume de fato vive às expectativas que o nome gera.