3 de fev de 2019

Natura Kaiak, Kaiak Urbe, Kaiak Aventura, Kaiak Pulso - Avaliações Rápidas


Natura Kaiak: Finalmente nos encontramos, depois de anos o evitando por detestar o seu cheiro. Kaiak sempre esteve na minha lista de perfumes nacionais odiados, pois algo no cheiro dele me passava um aroma muito metálico e uma sensação estranha. Algo mudou, pois não percebo mais isso. Não é meu favorito, mas também não vejo nada de errado nele.
Dizem que o Kaiak foi inspirado no descontinuado Choppard Heaven, e se isso for verdade é um belo estudo de caso de como um produto depende do posicionamento correto para ser um sucesso de vendas, tendo a distribuição que o permita chegar a quem realmente irá o desejar.

Sem conhecer o Heaven, o que eu percebo é alguma semelhança com a criação da Chanel lançado 3 anos antes dele, Egoiste Platinum. Ambos seguem o mesmo estilo de fougere, aquele que beira o aroma de um desodorante corporal, que favorecer o frescor dos elementos cítricos e os combina com uma base amadeirada e almiscarada agradável. Apesar de não ter nada listado com cheiro de camurça no Kaiak, algo me passa essa sensação bem distante, bem menos evidente que no Platinum, mas ainda sim presente. Acho que sua execução é razoável para o que se propõe.


Natura Kaiak Urbe: Para a versão mais urbana do clássico de vendas da marca, escolheram um perfil olfativo que mantivesse parte do fresco aromático do tradicional acrescentando lhe mais elementos ambarados e amadeirados. Urbe para mim tem uma aura claramente amadeirada abstrata, típico de alguns sintéticos utilizados para passar uma sensação de madeira sem lembrar nenhuma. Há algo também nele que me lembra de forma distante cheiro de ambar e tabaco. Mas o foco mesmo é nos aromas frutais e mentolados, que tomam conta do perfume nos primeiros momentos. Urbe abre gelado na pele, uma explosão mentolada que passa rápido e abre espaço para a maçã e cítricos. A parte das especiarias é mais sutil na minha pele, dá apenas um toque meio picante que complementa a sensação de tabaco para mim, um tabaco adocicado de leve pela fava tonka. Conforme o tempo passa Urbe vai ficando mais leve, mas se vc se mexe e começa a aquecer percebe claramente essa base amadeirada mineral, o aroma leve de incenso por conta do cedro e a impressão de tabaco. Me parece que foi feito para se integrar ao ambiente e ser um aroma que os outros sentem mais que você. É o tipo de composição que eu conseguiria ver a Azzaro lançando.

Natura Kaiak Aventura: Eu não entendo, qual é o sentido de você dar a um grande sucesso de vendas da sua marca um flanker chamado Aventura e o fazer tão emocionante quanto uma soneca? Dos que eu usei da Natura até agora, esse é o que ganha no quesito sem-graça. O que predomina é um cítrico genérico com um musk genérico e um leve quê floral genérico.

Natura Kaiak Pulso: Confesso que estou intrigado com esse perfume. É como se ele tivesse uma identidade exótica disfarçada sob uma camada fougere cítrica, como se ele fosse um rebelde tentado se passar por um bom moço. Quando você aplica na pele, acha que irá pelo caminho clean, cítrico e fougere herbal do tradicional, entretanto o perfume muda para algo meio frutal, meio floral que me parece familiar ao mesmo tempo que me parece diferente. Há realmente algo de exótico nas madeiras de sua base, um cheiro que me remete a aroma de corda nova e que eu só costumo encontrar em perfumes de oud, é como se fosse uma das moléculas utilizadas para criar um acorde de oud posta em um contexto totalmente diferente. Definitivamente não óbvio (pelo menos não totalmente).