8 de fev de 2019

Olibere Paris Dangerous Rose e Chemical Love - Avaliação/Resenha/Review



Ainda que em alguns momentos os novos perfumes da Precious Collection pequem um pouco em relação a forma como comunicam suas intenções ao público, o fato é que os perfumes em si são tão fortes que isso puxa a avaliação final para cima. São fortes em concentração, extratos como as pessoas esperam quando se fala em pure parfum: perfumes que duram muito e que dependendo da quantidade aplicada não saem nem com banho. Mas não são apenas fortes tecnicamente, as composições revelam-se muito bem construídas, intensas sem serem cansativas e explorando caminhos conhecidos sem serem banais. O novo trio certamente está entre as melhores criações de Luca Maffei, que tem se revelado um grande talento no cenário da perfumaria de nicho e exclusiva.

Dangerous Rose é inspirado no clássico filme Entrevista com o Vampiro e isso já cria grandes expectativas com relação a rosa que o perfume irá entregar. A ideia é a de uma beleza enigmática, luminosa e sombria e já por aí sabemos que a rosa vermelho sangue que aparece na publicidade do perfume não é apenas um elemento decorativo. Dangerous rose entrega uma rosa ao estilo de uma perfumaria árabe, carregada em incenso, especiarias, com nuances de mel e tabaco. A saída é intrigante, um aroma spicy seco e incensado que por alguns momentos me remete a uma versão mais nobre do aroma do clássico sabonete Phebo. Logo em seguida o aroma mais licoroso da rosa começa a se tornar evidente em contraste com um patchouli envolto em ambar. A forma como eles são equilibrados cria juastamente o aspecto luminoso e sombrio da fragrância e duram praticamente o dia todo na pele.

Chemical Love é para mim do ponto de vista do conceito o perfume mais fraco da coleção. O perfume tem uma inspiração ousada no filme Scarface e certamente a figura feminina que é homenageada aqui é Elvira Hancock, esposa de Tony Montana e viciada em Cocaína. O perfume mira nessa ideia ao incluir um acorde de Cocaína na composição porém parece não levar o tema a fundo, limitando-se a criar um floral musk que acaba soando um pouco artificial como o nome parece sugerir. Ainda sim, é um excelente floral artificial: um ylang narcótico e até mesmo um pouco animálico é cercado por um aroma frutal mais comercial, mais evidente na fita do que na pele. Conforme o aspecto mais floral inebriante do perfume passa ele ganha contornos amadeirados cremosos e bem aconchegantes e que assim como os outros da coleção dura uma vida na pele.

Da trilogia de perfumes propostos Chemical Love é o único que parece ir mais em uma direção feminina do que unissex e eu diria que um dos perigos da marca ao explorar de forma tão forte a temática de suas heróinas na parte visual das fragrâncias é a de acabar limitando o público que irá se interessar e testar as composições. Meu conselho é ignorar essa parte do projeto e ir direto para os perfumes, que irão surpreender e agradar muito aqueles que buscam criações potentes e bem feitas.