12 de fev de 2019

Parfums Dusita Splendiris - Avaliação/Resenha/Review


É fácil se render aos encantos da grife Dusita e de sua criadora, Pissara Umavijani. Pissara é uma raridade entre as pessoas que encabeçam grifes de nicho hoje, alguém que genuínamente tem uma veia artística, uma visão clara de sua marca e uma pessoa acessível, gentil e aberta a seu público. Isso de certa forma é tão diferente de muito o que acontece que me lembro que no começo as pessoas acreditavam que sua marca e pessoa talvez fossem um golpe de marketing, algo que o tempo se encarregou de mostrar não ser verdade. E hoje facilmente a Dusita se destaca entre as grifes de nicho como uma que consegue ser altamente poética e ao mesmo tempo descomplicada em sua entrega.

Para seu último lançamento Pissara tomou uma abordagem diferente ao promover algo único, a chance de permitir a comunidade de apaixonados por perfumes de sentir e dar um nome a seu último lançamento, um conceito baseado ao redor da nobre e preciosa iris. O nome escolhido não poderia ter sido mais adequado, Splendiris, capturando a ideia de que essa é uma iris distinta e gloriosa e lingando ao poema do perfume, já que Splendido em Latim está relacionado a luz e o perfume é inspirado em um poema do falecido poeta e pai de Pissara, que lê assim :"Eu escrevo sobre a luz de velas em uma noite embrulhada em muitas camadas de sonhos". Splendiris é uma poema não sobre o cheiro literal da iris, mas sob seu aspecto poético e até mesmo melancólico, que perde o peso da tristeza e ganha uma serenidade que raramente se vê nessa temática.

Para mim o maior trunfo e que torna Splendiris de fato esplêndido é justamente essa proeza de ser capaz de utilizar o lado mais complicado da iris, o aroma da raiz, e torná-lo leve como uma pluma e macio como um sopro no começo de uma noite agradável. Para quem conhece perfumaria comercial talvez não seja capaz de perceber a iris tão facilmente, já que há bem pouco de maquiagem aqui. Essa não é uma iris de iononas, é uma iris que utiliza o aspecto mais terroso da semente de cenoura e o aroma metálico e frio da raiz de iris, duas facetas pouco exploradas por afastarem os consumidores. Porém, Pissara praticamente coloca a si mesma nesse perfume com uma beleza leve, enigmática e envolvente que ao mesmo tempo que é familiar é algo que não me lembro de ter sentido em lugar nenhum.

Splendiris descortina suas múltiplas camadas de flores, criando uma abstração para a flor de iris, da qual não se extrai o cheiro. A forma como isso é construído sugere um aspecto de flores brancas de lírio, seguido por pétalas macias de rosas de cor suave e envolvidas em um aroma discretamente animálico. Os aspectos terrosos da iris criam a identidade da beleza sonhadora e quase distante de splendiris ao passo que um discreto toque quente de ambargris junto com as madeiras sugerem um aroma de pele, um abraço gostoso de alguém querido. Enquanto o usava, me senti as vezes observando como se fosse a beleza de uma ave rara e delicada a fazer um vôo gracioso pelo céu, algo que não é chamativo ou espalhafatoso mas é muito bonito de se observar e descomplicado em sua graciosidade.