21 de mai de 2019

Dotti Iceland Collection Rokk - Avaliação/Resenha/Review


Conceito: 4,5 Olfativo: 4,7 Técnico: 4,5 Apresentação: 4,5
Nota Final: 4,6 Nota Faixa: 4,6
Faixa de Preço: 2 - de 150 a 300 reais

Uma coisa muito rara de coleções é ter uma grande coerência entre todos os integrantes, de forma que apenas uma parte da coleção realmente se destaca e o resto parece apenas servir para fazer volume nas prateleiras. A Iceland Collection da Dotti perfumes evita isso ao limitar o número de integrantes a 3 deles, concentrando esforços criativos e econômicos em 3 fragrâncias muito bem desenvolvidas. Mas a Iceland Collection vai além de uma coerência olfativa ao redor do tema. O perfume cria uma narrativa onde as fragrâncias por meio das runas escolhidas contam uma história onde cada perfume se complementa em uma sequência com começo, meio e fim, onde as fragrâncias compartilham acordes em comum mas tem comportamentos condizentes com essa dinâmica.


Se a runa associada a Nakinn o coloca como peça central da trilogia Rokk é o ínicio da coleção, com a Runa associada a ele mostrando o caminho a ser seguido, uma jornada de transformação e evolução permanente. Uma coisa que percebo com os perfumes da Iceland Collection é que o significado das runas é mais forte que os conceitos trabalhados nas descrições. Rokk por exemplo, tem como conceito algo que é muito difícil de trabalhar em um perfume que pretender ser comercial e com sofisticação conceitual de nicho. A ideia envolve um contraste entre o quente e o frio para representar um Vulcão na paisagem da neve. Seu nome inclusive significa a Rocha e se alguém espera um perfume que tenha algo quente e mineral versus algo frio não encontrará isso de maneira literal.

Eu vejo o contraste entre algo mais denso/fechado e mais leve na forma como Rokk se comporta na pele. Há até um contraste mais direto entre materiais ambarados e quentes e tons mentolados, entretanto como o perfume tem uma aura mais abstrata e complexa isso se perde. Ainda sim, é bem interessante como o aroma mentolado é trabalhado passando um frescor verde e que não remete a pasta de dente. E ele serve de abertura para uma ideia mais clássica fougere.

Rokk trás um acorde fougere que parece remeter ao aroma clássico dos primeiros Fougeres, trazendo um aroma de lavanda e coumarina que cria um aroma verde com nuances de seiva e grama cortada, que é balanceado com o aspecto mais mentolado e fresco da composição. Esse primeiro impacto do perfume mascara algo interessante, nuances especiadas e de um aroma mais floral verde de gerânio. Vejo que não há coincidência aqui, pois justamente nessa fase o perfume remete ao Profusion, como se de microfoco da Spectrolite fóssemos para algo mais macro conceitualmente.

Se Rokk começa com uma saída mais clássica e complexa ele evolui para um aroma fougere com nuances orientais de musk, algo mais moderno e até mesmo mais leve. Nessa última fase por acaso o perfume acaba fazendo uma homenagem indireta a um clássico descontinuado da Gucci, o perfume Gucci Envy, e é uma referência que se encaixa feito uma luva aqui, visto que Envy possui um perfume de coloração verde neon que encaixa muito bem com a temática da coleção e com o aroma de Rokk. Das 3 criações parece ser o mais comercial e fácil de ser apreciado, mas ainda sim seu impacto inicial engana pois o perfume tem bastante personalidade e dinâmica na pele e faz um trabalho complexo de encaixar referências, notas e vários de níveis de conceito em um perfume aparentemente simples em sua superfície.