22 de mai de 2019

Dotti Perfumes Vík - Avaliação/Resenha/Review



Conceito: 4,7 Olfativo: 4,7 Técnico: 4,7 Apresentação: 4,5
Nota Final: 4,7 Nota Faixa: 4,7
Faixa de Preço: 2 - de 150 a 300 reais

Da trilogia de perfumes lançada recentemente pela Dotti Vík é o que mais se aproxima de um perfume perfeito quando se olha os aspectos conceituais, olfativos e técnicos. Executar esse tipo de trabalho que tenta ser comercial e mais exclusivo não é fácil e encaixar isso com todo um conceito simbólico é ainda mais difícil. Entretanto a ideia se desenrola com alta sinergia: a runa escolhida tem um simbolismo associado ao nome, a Valquíria, que se unifica muito bem a ideia olfativa trabalhada aqui, a de um chypre floral branco. E esse chypre floral branco consegue um equilíbrio entre perfumaria clássica e moderna que é bem interessante tbm.

O perfume cria uma fantasia olfativa de uma planta chamada chá-dos-alpes, que se relaciona com a mitologia das valquírias, associada a runa proposta, e com o ambiente proposto, visto que Vík é uma região da Islândia com um clima mais ameno, propício para um aroma mais rico. Para traduzir essas referências e para trazer o simbolismo de proteção que a runa possui Vík explora um chypre e põe mais ênfase justamente ao aspecto mais terroso da base.

Se Rokk representa o elemento mais masculino da coleção Vík é que tem uma identidade mais feminina e que se revela conforme o perfume evolui na pele. O perfume parece que se integra com a peça central da trilogia, Nakinn, ao trazer um aroma mais terroso, meio amadeirado e úmido que serve tanto para sugerir a parte final do centro da trilogia como para trazer uma referência mais clássica chypre e para simbolizar o habitat dos carvalhos das ninfas que servem de musas aqui. Há um contraste entre o lado mais canforado do patchouli e a ligação com os outros perfumes da coleção ao trazer a princípio um toque herbal mentolado e meio amargo.

Conforme evolui Vík se torna mais luminoso, sensual e o lado das ninfas/valquírias começa a sobressair. O perfume evolui para uma referência chypre mais moderna que evita uma doçura exagerada para trazer um equilíbrio entre um toque frutado vermelho, flores brancas cítricas e um patchouli luminoso com aspectos de musk. A parte floral branca surpreende ao não ir para o típico aroma de jasmim, criando um aroma mais complexo que mistura nuances de laranjeira, jasmim e da magnólia, cobrindo diferences nuances florais brancas. Por fim, o aroma termina mais familiar, projetando uma aura limpa, amadeirada e sensual.

Vík fecha muito bem a trilogia e como integrante final consegue favorecer aromas típicos de notas de base sem sufocar os elementos de saída e corpo da composição. E serve junto com Rokk e Nakinn para permitir ao usuário um ato de uso combinado das fragrâncias que servia para criar uma assinatura pessoal própria que certamente será misteriosa, de boa performance e muito agradável. Vale muito a pena conhecer todos os perfumes para ter essa visão mais completa e profunda do conceito total de um trabalho muito bem executado.