29 de mai. de 2019

Jean Paul Gaultier Scandal - Avaliação/Resenha/Review



Conceito: 4.5 Olfativo: 3.5 Técnico: 4 Apresentação: 4
Nota Final: 3.8 Nota Faixa: 3.8
Faixa de Preço: 3 - 300 até 600 reais
1- Insatisfatório 2-Regular 3-Bom 4-Ótimo 5-Excelente

Uma coisa que tenho percebido em especial na perfumaria comercial feminina é que não adianta testar os perfumes na fita olfativa. A guerra por ganhar rapidamente o público aliado a ao aroma bem doce dos últimos lançamentos distorce muito o cheiro deles na fita e os torna até mesmo insuportáveis. Na pele, porém, é possível perceber melhor a harmonia e nuance da ideia mesmo que a doçura ainda esteja lá, o que é o caso do novo pilar da linha Gaultier, o perfume feminino Scandal.

Scandal não disfarça seus objetivos de mirar o mesmo público de consumidoras da La Vie Est Belle, oferecendo um aroma floral açúcarado em um líquido cor de rosa. A diferença porém, é enquanto o sucesso da Lancôme buscava algo glamuroso e nostálgico Scandal mira no contraditório e sexual, inspirando-se em um bairro de Paris conhecido pelos Cabarés ee diversões adultas e criando uma personagem de vida dupla, que de dia é membro do governo e à noite tem uma vida escândalosa. E nesse sentido, o perfume acerta na mosca no conceito que desenvolve.

A parte mais interessante e distinta de Scandal é a que não se revela na fita e é justamente o lado mais noturno e sexual da fragrância. A nota de mel é incluída no conceito justamente para trazer esse aspecto contraditório, entre algo inocente e sexual, e junto com o bouquet de flores brancas é criado um narcótico aroma de mel floral. Essa fase me remete ao cheiro que muitas árvores de flores brancas exalam a noite. Um aroma floral adocicado, carnal, um néctar de flores brancas com um aspecto meio indólico e cítrico ao mesmo tempo. É a parte mais complexa, divertida e interessante do perfume.

O perfume comporta-se como seu frasco com as pernas de ponta cabeça e o mais interessante vem primeiro, seguido de um aroma mais comum e comportado. O perfume evolui para um chypre moderno com patchouli limpo, aroma açúcarado e aroma floral comportado, como se nossa fictícia integrante do Governo fosse direto da noite de diversão e farra para o trabalho, novamente apresentável, comportada e sem grande personalidade. Um leve resquício da noite passada paira no ar, entretanto em boa parte o lado escândaloso já se foi.

Esse comportamento dual é o que compromete o olfativo, visto que o perfume para atender duas faces de uma mesma vida acaba sacrificando uma (a escandalosa) para encaixar a outra (a comportada e que vende bem). Isso acaba se refletindo em outros aspectos da composição: o frasco sem a tampa é um algo genérico e comportado, que não tem grande apelo. O aspecto técnico funciona de forma similar, tendo até que uma fixação e rastro dentro do esperado, porém se perdendo conforme evolui. É um perfume que só tem um sentido mais profundo e completo quando sentido na pele e contextualizado dentro da história desenvolvida. Sem eles o que fica serve apenas para agradar a massa com mais um perfume chypre adocicado.