30 de set. de 2019

Condé Boisée Rouge - Avaliação/Resenha/Review



Conceito: 9,5
Olfativo: 9,5
Técnico: 9,5
Nota Final: 9,5

Composição Nota:
25% Conceito, 50% Olfativo, 25% Técnico
Preço Oficial: 199 reais 50ml
Categoria: Nicho Artesanal

O quinto integrante da coleção de perfumes de Fábio Condé é tanto um avanço em uma nova direção olfativa quanto um reforço de seu universo criativo e dos elementos que definem suas criações. Boisée Rouge incorpora de maneira mais evidente a temática do vermelho em seu aroma e proposta e é um dos seus primeiros perfumes a não ter de maneira evidente na pele elementos cítricos. Ao mesmo tempo, seu aroma está intimamente relacionado com Tabac D'Or e Cuir Vert e cria com eles uma trilogia de nuances de tabaco e couro, que aqui são exploradas de maneira secundária mas que contribuem para a identidade proposta.

Rouge tem o objetivo de trazer a sedução do vermelho para seu aroma e aliar isso com a sobriedade de um aroma amadeirado e é um perfume que entrega justamente essas duas nuances e que oscila muito bem entre elementos masculinos e femininos, criando um aroma que é equilibradamente unissex em seu cheiro. Como outros perfumes da marca é necessário testar na pele pois há uma complexidade de nuances e um comportamento não linear que se perde facilmente na fita.

O perfume a princípio te apresenta a temática da sedução, que é trabalhada em uma dicotomia entre sensualidade e inocência. Há uma triade de cerejas, amêndoas e heliotropo que criam um aroma vermelho carnal, uma cereja bem frutada com nuances de amêndoas amargas e o aspecto floral amendoado de heliotropo. A ideia da framboesa,amora e morango demora um pouco mais para aparecer e é o lado mais delicado e inocente do perfume, um que permanece de maneira recorrente na pele conforme o cheiro evolui.

Contrapondo esse lado mais sensual e que poderia ser visto como feminino há um acorde mais bruto e amadeirado, algo que facilmente oscila entre cheiro de tabaco, couro e madeiras secas. A utilização do tabaco de maneira secundária funciona bem, pois retoma a identidade da marca, combina com a cereja e amêndoas e junto com a fava tonka acaba criando a ideia de um fumo frutal de cachimbo. Esse lado mais seco e bruto aos poucos vai suavizando e permitindo que o cheiro das frutas silvestres possa ser sentido novamente e junto com o aroma da baunilha elas passam um aroma quase infantil, algo que me remete até mesmo a um picolé de frambroesa e baunilha de quando eu era criança.

É interessante que apesar de Boisée Rouge ter uma evolução complexa como a de um perfume clássico seu aroma parece bem contemporâneo, explorando bem um cheiro amadeirado seco com as frutas vermelhas propostas. A performance é muito boa e certamente é outro dos perfumes da casa que funciona muito bem no frio ou em dias mais amenos.