5 de set. de 2019

Condé Chypre Clair - Avaliação/Resenha/Review


Conceito: 9,5
Olfativo: 9,5
Técnico: 8,5
Nota Final: 9,25

Composição Nota:
25% Conceito, 50% Olfativo, 25% Técnico
Preço Oficial: 199 reais 50ml
Categoria: Nicho Artesanal

Chypre Clair complementa muito bem a primeira trilogia de perfumes clássicos propostos por Fábio Condé e dos 3 integrantes é certamente o que tem mais chances de agradar ao público feminino. Enquanto Cuir Vert e Tabac D'Or tendem a aromas intensos e barrocos Chypre Clair é, como o nome sugere, algo mais delicado, transparente e com um leve teor floral. O perfume acaba se destacando entre os 3 por propor um aroma que não possui tabaco nem couro em sua proposta, mas que se integra bem com os outros 2 pela presença dos elementos cítricos existentes aqui. É como se a coleção tivesse sido composta em diferentes graus de saturação, com Chypre Clair sendo o inicial, Tabac D'Or o intermediário e Cuir Vert o mais saturado (e consequentemente, o mais desafiador).

Como disse em minha avaliação de Tabac D'Or os perfumes Condé devem ser testados na pele e se possível em mais de um dia, pois nas fitas seus cheiros enganam e mostram uma semelhança entre eles que no uso se mostra enganadora. Chypre Clair certamente tem uma aura cítrica bem evidente e na fita é como se o perfume fosse uma tentativa de Condé de homenagear cítricos chypres clássicos, em especial o estilo Eau de Sud da Annick Goutal. Mas utilizando ele me vi surpreso com o aroma que é entregue.

Chypre Clair propõe algo criativo para a estrutura clássica Chypre, que é conhecida por girar ao redor do aroma do labdanum, musgo de carvalho, bergamota e eventualmente do jasmim. Condé utiliza o aroma fofo, úmido e terroso do musgo com um cheiro amadeirado mais clean de vetiver e trás o lado terroso da ideia para um aspecto mais macio ao encaixar uma nota distante de iris e violeta, que trás sensualidade ao perfume. Essa aura se revela só depois que a rica saída cítrica passa, que é uma sucessão de elementos cítricos, onde limão, verbena e petitgrain criam um cítrico elegante, levemente doce e um pouco ácido.

No corpo do perfume mora a surpresa, pois depois que os cítricos suavizam e a ideia da iris amplifica o aroma do musgo é que surge um corpo floral que se não é inovador é pouco utilizado. Condé trás o aroma do chá verde para fazer a ponte entre o aroma cítrico da saída e a base amadeirada e terrosa, encaixando toques discretos florais de jasmim e lírio para dar luminosidade a ideia. É uma ponte muito bem executada, muito elegante e que conduz bem o perfume ao cheiro mais amadeirado da base, onde uma de suas notas favoritas, o vetiver, trás um cheiro de capim e madeira seca que é bem aconchegante.

Para oferecer algo mais leve e fácil de usar Chypre Clair acaba sacrificando algo que nos outros perfumes da marca é evidente, a intensidade de seu cheiro. O perfume evolui para algo mais discreto, que não desaparece da pele mas que não cria um grande rastro como Cuir Vert e Tabac D'Or. Mas trabalhar predominantemente com materiais naturais e de maneira leve não é uma tarefa fácil e nesse sentido o que é entregue certamente dura de maneira condizente na pele e provavelmente em dias mais quentes se mostre com maior intensidade. É um perfume de muita elegância, maturidade e harmonia e fecha como uma grata surpresa a exploração da trilogia inicial da marca, principalmente quando se considera tais produtos como frutos de um perfumista que está se desenvolvendo e desenvolvendo sua marca. Uma coisa é certa, esse forte começo mostra um futuro promissor.