2 de set de 2019

Condé Cuir Vert - Avaliação/Resenha/Review



Conceito: 8
Olfativo: 9
Técnico: 9,5
Nota Final: 9

Composição Nota:
25% Conceito, 50% Olfativo, 25% Técnico
Preço Oficial: 199 reais 50ml
Categoria: Nicho Artesanal

Confesso que estava cético desde o começo quando soube que Fábio Condé tinha resolvido ir pelo caminho de lançar sua própria coleção de perfumes. Conhecendo-o desde os tempos de orkut e nos primórdios da formação da cultura olfativa pelas mídias sociais sempre o vi como uma figura carismática e capaz de se comunicar com um amplo público e capturar o que a perfumaria significava para esse público, trazendo conhecimento em uma forma acessível e direta. Mas não o via como perfumista e certamente fui surpreendido e dou o braço a torcer que há um grande potencial aqui nessa nova fase de sua jornada.

Condé procura construir com a sua marca uma narrativa que resgata a história de seu sobrenome Francês e que ao mesmo tempo tenta trazer isso para uma abordagem mais contemporânea: aqui temos a ideia de perfumes clássicos, construídos em 3 camadas mas que exaltam temas conhecidos do público contemporâneo, filtando esses temas por uma ótica das cores que serão passadas. Percebo que acertadamente ele construiu a coleção com cautela, lançando uma primeira trilogia que reflete seus primeiros aprendizados e construções olfativas.

Cuir Vert é vendido como um perfume complexo e resinoso e certamente o é, com uma evolução olfativa clássica, de 3 camadas e dependente primariamente de elementos naturais. Isso certamente deve assustar o consumidor brasileiro mais acostumado com perfumaria comercial moderna e o que Cuir Vert entrega é bem mais próximo do nicho mesmo, algo que reflete um aroma que não foi feito para um público de massa e que parece refletir algo mais arriscado na temática de um couro verde. A recomendação do site inclusive é acertada: esse é um perfume ou para dias frios ou para noite; em temperaturas quentes e abafadas deve desandar rapidamente.

Cuir Vert me parece uma jóia bruta, vejo uma ideia bem pensada mas que eu pessoalmente enxergo que precisaria ser polida. O conceito parece apontar mais para a direção do Cuir do que do Vert, visto que o perfume tende mais para um couro meio emborrachado e defumado, bem clássico inclusive. Estava receoso de que a bétula dominaria o perfume e daria um cheiro canforado forte, porém essa impressão fica reservada aos primeiros momentos da saída e se mistura com ervas aromáticas e um aroma de limão mais adocicado e que faz a transição para o coração do perfume.

A segunda fase de Cuir Vert trás a ideia de uma união entre tabaco e couro, onde o aroma da coumarina ajuda a reforçar o cheiro de um tabaco meio amendoado que se mistura a um couro mais seco. Cuir Vert aqui parece homenagear alguns perfumes clássicos do passado, com seu couro tendendo a um aroma chypre não muito distante de Cabochard, Bandit, Azure e Aramis Pour Homme. Porém seu aroma está no momento presente e em vez de ir numa direção mais chypre e seca o perfume equilibra isso com uma última fase mais oriental com inspirações árabes, onde a doçura do açafrão e um oud ambarado mostram suas caras e é interessante isso, pois em vez de serem os protagonistas servem mais para modernizar a ideia como um todo.

De maneira geral o perfume é muito bem construído e me parece bem maduro para o começo de uma coleção. Diria que poderia talvez ter algo mais vert, até mesmo uma flor como a tuberosa para passar essa sensação ou talvez mais elementos cítricos. Porém, de maneira geral o perfume surpreende pelo aspecto maduro e bem pensado. Condé se revela um apaixonado pela perfumaria clássica aqui e entrega algo que não esperava que fosse oferecido dessa maneira.