24 de set de 2019

Santi Burgas NYC New York City - Avaliação/Resenha/Review

Conceito: 9,5
Olfativo: 9,5
Performance: 9
Nota Final: 9,3

Composição Nota:
25% Conceito, 50% Olfativo, 25% Diana TécnicoPreço Oficial: 120 euros 100ml

Categoria: Nicho

Das 3 criações propostas na Primal Waters é fácil desmerecer NYC visto que ela é talvez a mais óbvia delas: uma fragrância moderna no estilo eau de cologne. Ainda sim isso seria não perceber que NYC é uma peça central nessa trilogia e é provavelmente o perfume que iniciou essa coleção de águas primais que exaltam os 10 anos da marca e celebram uma perfumaria autoral que não tira o foco do aspecto comercial. E eu diria qur NYC é também uma celebração da parceria e amizade entre Santiago Burgas e Rodrigo Flores Roux, o perfumista que é uma peça central para a marca desde o ínicio da parceria com a trilogia palíndrome.

Essa é uma fragrância que o perfumista desenvolveu para si próprio e que casa muito bem com a ideia de uma águal primal trazida para o presente momento, afinal estamos falando de uma estrutura cítrica cologne que ganha os detalhes, longevidade e projeção que são possíveis apenas com sintéticos e bases de alta qualidade. NYC funciona como uma espécie de cartão de visitas da Givaudan que Rodrigo Flores Roux presenteia a nós por acreditar no potencial artístico e comercial de Santiago Burgas. E assim nasce o perfume mais acessível e ainda sim artístico da marca.

Quando se prova rapidamente, NYC parece sua típica cologne atual, algo na linha de fragrâncias baseadas em flores e frutas cítricas que se popularizam em fragrâncias como Neroli Portofino e Nio. Entretanto, se você presta atenção nos detalhes percebe que há um aceno a perfumaria clássica e um trabalho nos detalhes que não é comum nesse estilo de composição. Talvez o único ponto que NYC peque é que sua aura cologne e clássica parece mais ligada ao continente europeu do que à nova iorque em si, mas é uma flexibilização que encaixa o perfume na trilogia ANT (formiga em inglês) e que homenageia a cidade onde mora o perfumista.

O perfume abre com o típico combo de suculência cítrica e luminosidade de uma boa eau de cologne - num primeiro momento detecto mais o neroli e a bergamota dominando a composição. Há, porém, uma discreta homenagem à perfumaria da década de 70 e NYC me parece trazer uma luminosidade de hedione e magnólia que me remetem imediatamente ao clássico Diorella, como se fosse uma reorquestração de algo similar porém sem o aspecto aquático. Há algo que aqui me remete a década de 70 e o movimento hippie com uma leve nuance verde que me faz pensar em cannabis fresca, um aroma herbal e levemente defumado que parece se esconder atrás de uma estrutura cítrica.

É interessante que NYC pareça focar justamente na fase intermediária da composição e de alguma forma o momento cítrico refrescante, suculento e floral parece durar e se manter evidente umas 5 horas depois da aplicação, o que é surpreendente. Novas nuances vão se revelando, como um aspecto de tangerina por exemplo, e o perfume nunca perde sua elegância, sustentado por musks e um leve toque amadeirado e de raiz. NYC além de um perfume abstrato e agradável parece ser um perfume versátil e artístico e parece ter sido feito como centro da trilogia para indicar que seu aroma pode ser combinado tanto com os outros para criar algo mais dinâmico e pessoal. Diria que esse é um baita presente de Rodrigo Flores para a marca e para o consumidor e um que vale a pena ser conhecido mesmo por quem não é fã de cítricos.