15 de out. de 2019

27 87 Elixir de Bombe - Avaliação/Resenha/Review



A perfumaria de nicho em um período de tempo bem curto virou uma espécie de concurso alternativo de Miss Universo onde cada marca em seu discurso em vez de querer a paz mundial quer oferecer uma perfumaria distinta, com o melhor dos materiais e uma inspiração autêntica. É uma espécie de gourmetização de nicho onde o que realmente fala não são as intenções artísticas de fato e sim as pretensões financeiras. E nesse concurso já bem concorrido em 2016 a 27 87 entra como mais uma concorrente.

Eu vejo a proposta da 27 87 como algo de fato cínico e uma boa interpretação da ideia narcissista que há por trás da nomeação da marca, cujo o nome se refere a data de nascimento da criadora. Não há um objetivo na 27 87 que realmente a destaque como algo único, e sim uma série de requisitos a serem ticados apenas por serem tendência no momento: perfumes artísticos, originais, livres de gênero, livres de crueldade, com ingredientes limpos e materiais veganos. Só faltou descreverem que as fórmulas foram feitas para coaches e pessoas que praticam cross-fit. O tamanho do frasco é bizarramente escolhido na volumetria de 87ml apenas para casar com o nome da marca (pois isso vai fazer muita diferença) e a embalagem é vendida como se fosse uma tela limpa para dar destaque aos perfumes, como se isso fosse algo inovador e não feito por ninguém anteriormente. As linhas são dividas em 4 sem nenhuma explicação e os perfumes tem conceitos que a marca também não se dá ao trabalho de explicar ou explorar - afinal eles são muitos descolados/inovadores para isso.

Elixir de Bombe existe dentro desse conceito e é claramente um perfume gourmand tentando ser hipster/gourmetizado para ter apelo para quem curte um perfume apenas pois ele é "diferente" do resto. Aqui a marca emprega os talentos do perfumista Mark Buxton como se ele estivesse trazendo algo novo ao mercado, mas na prática ele resgata a estrutura de um perfume antigo seu da década de 90, o CDG White. Há uma ideia similar ao contraste entre um acorde frutado vermelho e um aroma especiado quente e exótico, que ganha uma repaginação com a amplificação do ambar da base e o acréscimo do aroma gourmand do etil maltol. Elixir de Bombe me parece um pouco amador para ser sincero, um perfume bem próximo com algo que já senti em pessoas começando a explorar a junção de perfumaria natural e de nicho.

A dinâmica da ideia aqui como um todo me lembra bastante uma outra concorrente desse concursos de misses da Perfumaria, a Art de Parfum e seu exótico chá frutado vermelho Excentrique Moi. A diferença é que enquanto a 27 87 tenta soar descolada e inovadora e se perde em seu discurso ralo e sem coesão a sua concorrente consegue contar uma história que usa os clichês do mercado de uma maneira a contar uma história de fato. Elixir de Bombe é diferente de tudo e igual a todo o resto.