27 de out. de 2019

Hermetica Multilotus, Rosefire, Verticaloud - Avaliação/Resenha/Review




A impressão que fica após ter provado metade da coleção de perfumes criados para a Hermetica é a de uma execução muito bem feita de um projeto de perfumaria contemporâneo. Os perfumes conseguem ser minimalistas e compactos em suas fórmulas sem parecerem inacabados e há ideias interessantes trabalhadas conceitualmente, principalmente na utilização de poemas construtivistas e até mesmo em alguns casos execuções inesperadas de uma temática.

Talvez um lançamento mais modesto e compacto teria deixado isso ainda mas evidente. A marca porém aposta em algo que procure abranger o máximo possível de gostos e oferecer uma ampla gama de possibilidades para combinação. Os 3 avaliados hoje evidenciam essa proposta de diversificação dentro dos temas escolhidos.

Multilotus: um dos que brincam com a ideia construtivista ao criar um poema ondulado feito apenas de palavras com o prefixo Multi, Multilotus é um dos florais frescos da coleção e que coloca em grande evidência a assinatura Source 1 que permeia todas as fragrâncias. Seu aroma possui um aspecto floral luxuoso e fresco e que remete a sabonete exótico de hotel caro. Depois o aroma ambarado e amadeirado presente em Source 1 finaliza de maneira elegante a composição. Dá vontade de borrifar várias vezes só para sentir a saída luxuosa.

Rosefire: como vários perfumes da Hermetica, Rosefire é simples em sua temática porém parece complexo em sua execução. Aqui temos o aroma de uma rosa que me lembra remotamente do clássico Nahema, como se pegasse o aroma quente e aldeídico dessa rosa e o tornasse mais fresco e levemente frutado. O aroma amadeirado e ambarado do Source 1 também é evidente na base e contrasta bem com a luxuosa rosa construída.

Verticaloud: esse é mais um perfume competente de agarwood e rosas porém um que decepciona quando é posto no contexto, que promete entregar uma execução construtivista de um acorde vertical de oud, um que permeie a execução do começo ao fim. Isso acontece porém sem acrescentar nada de novo. O que é novo aqui é que a base não alcoólica garante que seja possível criar um oud com aroma animálico e com nuances de couro e com uma rosa marcante e alcoólica sem que ele se torne sufocante em temperaturas mais quentes. Parece um pouco uma versão domesticada de algum Montale ou do Guerlain Santal Royal.