23 de out. de 2019

Hermetica Patchoulight - Avaliação/Resenha/Review



É bem interessante a forma como a Memo Paris trás conceitos mais artísticos e até mesmo inovadores para perfumes que possuem claramente uma pretensão comercial, o que torna a tarefa mais difícil, visto que é necessário equilibrar o apelo ao consumidor com a integridade artística da ideia. Em Patchoulight me chama a atenção como a marca parece flertar tanto na fragrância como na descrição do perfume com o construtivismo, propondo uma descrição em formato de acróstico para o perfume. A própria forma de construção da fragrância parece ir nessa direção e sua visão mais molecular e até de certa forma atômica acaba sendo um exercício de reimaginação do aroma do patchouli em um contexto maior.

Como a própria marca destaca no site, o Patchouli é uma das matérias-primas naturais da perfumaria que é oferecida em diversos tratamentos moleculares para diminuir suas nuances mais terrosas e complicadas, tentando exaltar justamente a luminosidade de seu aroma. O Patchouli é uma excelente escolha para um perfume molecular visto que seu cheiro sozinho já é complexo o suficiente. O difícil é impedir que ele domine toda a composição e abafe os elementos ao redor dele.

Em Patchoulight há um aspecto bem interessante, que é o de contextualização do terroso e de chocolate meio amargo do patchouli em um aroma verde, uma nuance não muito comum nesse tipo de perfume. Patchoulight parece revisitar também a estrutura de um chypre floral da década de 80 e aparar as arestas ao mesmo tempo que muda os protagonistas principais. Ainda temos uma rosa em combinação com o aroma terroso e luminoso de patchouli, porém quem se torna evidente em primeiro lugar é uma dupla de iris e violeta, utilizadas aqui justamente para ressaltar tanto lado verde como o aspecto terroso do patchouli. É interessante como a combinação de iris, violeta e rosa dá um aspecto cosmético a esse perfume, algo que em alguns momentos remete a brilho labial antes que o aroma mais oriental e terroso do patchouli assuma a composição e a perdure na pele.

É possível perceber rapidamente na saída aspectos do aroma amadeirado e ceroso do Source 1 em Patchoulight, mas assim como em Green Lion aqui ele é mais um elemento de estrutura mesmo, presente para dar complexidade e facilitar o uso combinado com outras fragrâncias da coleção. Dos 3 já avaliados Patchoulight é o que tem mais complexidade, melhor performance e duração na pele e é um exercício muito bem feito de reimaginar em diversas camadas um patchouli que casaria perfeitamente com um chypre floral.