21 de out. de 2019

Histoires de Parfums This Is Not A Blue Bottle 1.3 - Avaliação/Resenha/Review

O que a princípio começou como o que parecia ser um lançamento pontual aos poucos se tornou uma coleção bem definida de fragrâncias dentro da Histoires de Parfums. Com This Is Not A Blue Bottle a marca flerta com a abstração e até mesmo com o surrealismo ao lançar a série. Depois de um primeiro lançamento empolgante e um segundo número meio morno a marca retoma bem em 1.3 a ideia de exploração abstrata ao utilizar a rosa, açafrão, laranja e ambar para representar um anel de metal, capturando-o pelas suas nuances de cobre e o aspecto quente ocasionado pelo processo de fundição.

Pode-se dizer que de certa forma o perfume segue a ideia surrealista pois ainda que o cheiro passe uma sensação metálica e quente ele parece brincar com isso entre o limite de um perfume comercial e um artístico. Também transita entre a sua ideia inicial, do metal forjado, e o símbolo de infinito do círculo, de algo que não parece ter começo nem fim. É interessante que para passar essa ideia de continuidade seja explorado justamente uma nota de coração e não de base para transmitir a ideia: é a rosa quem dita as texturas da composição como um todo.

A rosa é construída de uma maneira que a base retenha parte de seu aspecto das pétalas e a saída traga seu lado metálico e o combine com as nuances cítricas amargas e com o aspecto aldeídico e metálico do açafrão. A combinação de rosa, açafrão e ambar pode até passar uma sensação de agarwood para alguns visto que os 3 costumam conviver juntos em criações com essa temática, mas o foco não é esse aqui.

Como representado na embalagem, parece que exploramos esse círculo pelo aspecto mais cítrico, metálico e amargo e depois o vemos evoluir para o lado quente e vermelho da ideia, retendo parte do aspecto metálico e o redirecionando para o aroma aveludado das rosas e do ambar da base, que sugere aspectos de couro emborrachado junto com seu cheiro amadeirado seco. No fim, esse perfume também poderia ser chamado Esta Não É uma Rosa, pois no fim das contas é justamente com a rainha das flores que ele brinca em sua composição.