18 de nov. de 2019

Boticário Zaad EDP - Avaliação/Resenha/Review




Esse ano o perfume ZAAD do Boticário completa em 05 de dezembro 12 anos de existência, provando-se um sucesso de vendas e se tornando um dos pilares masculinos da marca. Ainda que a fragrância tenha permanecido, ao que tudo indica, intacta, muito da perfumaria nacional mudou durante esse tempo. Quando Zaad EDP foi lançado ele foi criado para ser o primeiro EDP masculino da marca, sendo essa concentração ainda pouco explorada na perfumaria da época. O objetivo aqui nem era tanto o de criar um perfume potente e extravagante, e sim oferecer ao público masculino em geral um perfume que transmitisse luxo, sofisticação, frescor e até mesmo tradição.

Chega a ser interessante que Zaad tenha sobrevivido, já que seu aroma não é de alta projeção ainda que fixe bem na pele, o que frustra uma parte bem ativa do público em geral. Entendo talvez que a graça de seu aroma e o que mantém seu público fiel mesmo 12 anos depois é o nome Boticário e o seu perfume fácil de usar e elegante. Ainda que seu aroma seja classificado como um Aromático Amadeirado vejo em Zaad um Fougere Amadeirado moderno. Os Fougeres tiveram uma boa renascença na década de 80 e as bases da perfumaria masculina nacional se desenvolveram nessa época, o que explicaria então o sucesso de um perfume que convém a tradição sem parecer antigo em seu aroma.

A melhor parte de Zaad é certamente a saída, que tem algo cítrico e um leve aspecto frutado suculento em meio aos aromas verdes e ao mix de ervas aromáticas mediterrâneas. A Lavanda não está presente de maneira direta mas o coriandro trás seu lado fresco e limpo com um toque especiado doce discreto e a bergamota acaba completando junto com ele uma impressão moderna e abstrata de lavanda (tanto o coriando como a bergamota possuem em comum com a lavanda a abundância de Linalol). Talvez seja a ausência da Lavanda que o leva a uma classificação aromática em vez de fougere, mas o perfume poderia ser encaixado bem em ambas as categorias.

O preço que Zaad paga ao tentar modernizar a estrutura fougere é visto na sua evolução. A explosão de frescor aromático, verde e especiado acaba dando espaço para uma base mais discreta e tímida, que flerta com nuances orientais ambaradas mas se mantém dentro de um aroma amadeirado mineral e musky, um que provavelmente deve se segurar melhor e ser mais evidente na roupa do que na pele. É algo que a marca poderia ter melhorado mesmo que isso significasse alterar a identidade do perfume - evitaria que ele continuasse a sofrer as críticas de que mesmo sendo um EDP não tem performance de um. E de fato são críticas razoáveis, dado que seu preço ao longo dos anos saiu de 125 reais em 2007 para 219 reais em 2019. É outra coisa que mudou ao longo desses anos na perfumaria nacional: o consumidor está bem mais exigente do que as marcas lhe oferecem, um ótimo sinal.