24 de nov. de 2019

Carolina Herrera Bad Boy - Avaliação/Resenha/Review


Um fato que me chamou a atenção no grande lançamento masculino da Carolina Herrera foi sua recepção morna quase que universal. É muito raro que um perfume seja recebido com tanto desinteresse até mesmo pelos críticos mais generosos na avaliação. E quando isso é acompanhado da mesma reação do público, é um sinal de um grande fracasso inicial. Mas seria merecido isso?

Aparentemente a Puig pretendia repetir o sucesso estrondoso do Good Girl com a versão masculina e pelo menos no conceito o perfume prometia bastante. Acompanhado de um frasco extravagante e chamativo, o perfume tinha como alvo um novo tipo de masculinidade, um homem sem medo de sua dualidade, algo forte e sensível, heróico e vulnerável, confiante em quem ele é e aceitado todos os lados de sua personalidade. O problema é que Bad Boy, o perfume, tem tudo menos personalidade, mostrando uma composição tão morna e tediosa que o que ela expressa é justamente medo de ser algo.

Eu confesso que não consigo entender como empresas tão grandes continuam a cometer erros conceituais tão básicos - será isso motivo de pesquisas enviesadas no desenvolvimento do produto? Bad Boy é um perfume comum, insípido, um aroma fresco ambarado como vários que tem por aí e que soa comum ao consumidor, ainda mais dado toda a proposta construída com o nome e o frasco.

Há até um lado mais ousado e sensual de um aroma que remete a licor de chocolate, mas esse fica escondido em um aroma cítrico e fresco como vários que tem por aí. Bad Boy evolui para uma base ambarada comum que termina com aroma doce e agradável. É um perfume que poderia ter sido ousado e comercial da mesma forma que foi a versão feminina, mas que escolhe ser seguro e acaba decepcionando por fazer isso de maneira tediosa. É um perfume que merece a recepção morna que teve.