19 de nov. de 2019

Sisley Izia - Avalaição/Resenha/Review


A marca de perfumaria e cosméticos Sisley é praticamente uma resistência a forma como o mundo de luxo e da perfumaria evoluiu ao longo dos anos. Não é uma marca de nicho e também sequer se comporta como uma marca comercial contemporânea, com a pressão de perseguir tendências e lançar anualmente flankers e variações de suas fragrâncias. Os perfumes para a Sisley são como parte da família Ornano e refletem seu estilo de vida luxuoso, um luxo clássico e do passado e que pode se dar ao gosto de lançar uma nova fragrância a cada 3,5 ou até mesmo a cada 10 anos.

Dependendo de como você enxergar o lançamento da linha Eau de Sisley Izia seria o primeiro grande pilar feminino da marca após a criação de Soir De Lune em 2006. O perfume é um ode a maneira clássica de contar uma história na perfumaria: é o retrato de jardins de rosas no castelo de Lancut na Polônia, local onde Isabelle d'Ornano passou sua infância. Izia é o seu apelido em polonês e é um tributo a sua herança polonesa. É um trabalho onde a perfumista Amandine Clerc-Marie tinha o propósito de recriar o aroma das rosas favoritas de Isabelle. E o perfume mantém a narrativa familia ao trazer em sua campanha sua sobrinha.

Esse cuidado com a herança familiar e com a natureza preciosa e atemporal das rosas torna Izia justamente o que muitos perfumes tentam fazer e falham, uma jóia olfativa de rosas onde a grande estrela brilha trabalhada cuidadosamente, polida e exaltada pelo que a cerca. Izia é um ode clássico às rosas e seu aroma me faz pensar principalmente na rosa de maio e vejo que essa não é uma composição barata de rosas. Um aroma aveludado e verde de rosas tem seu caleidoscópio de nuances trabalhado em perfeita sintonia: o toque aldeídico e brilhante, tons frutados que remetem a frutas silvestres, o aroma mais verde e vegetal para representar as folhas. No centro reina em esplendor e beleza o toque aveludado, levemente atalcado e apimentado da rosa de maio, que é clássica sem soar antiquada aqui. A base cria ecos distantes de madeiras, musks e ambars para segurar o protagonismo da rosa até o último momento.

Eu vejo em Izia o verdadeiro luxo, aquele que sabe utilizar materiais preciosos para contar uma história mais pessoal, uma que tem a capacidade de ser relevante e interessante para um bom público. Não é um perfume que precisa vender a excelência de seus materiais, pois o seu aroma já fala por si só. É um clássico moderno capaz de trazer a rainha das flores e dar ela o trono que ela merece ter.