24 de nov. de 2019

Twilly d'Hermès Eau Poivree - Avaliação/Resenha/Review


Junto com a Chanel a Hermès foi uma das primeiras a apostar em um estilo novo de perfumaria para um público mais jovem, mirando no sucesso de uma próxima década. Twilly surpreendeu pelo seu estilo jovem ser proveniente da exótica tuberosa, dando-lhe um aroma leve, fresco e picante que trazia um perfume luminoso e discreto que realmente se destacava.

Em 2019, 2 anos depois, a marca continua a investir na franquia com um flanker que também não é óbvio. Com Eau Poivree a marca tem o objetivo de homenagear o espírito jovem e aventureiro das garotas Hermés com um perfume que trás uma explosão de pimenta rosa na saída, seguido por um corpo floral fresco de rosas e uma base mais marcante de patchouli. E certamente não é uma interpretação óbvia desses 3 protagonistas.

Confesso que não sou fã da era da perfumista Christine Nagel na Hermés - de maneira geral essa combinação não tem produzido os melhores perfumes nem da perfumista nem da marca. Twilly é uma das exceções, mas o flanker Poivree é outro trabalho mediano  da perfumista. O perfume me parece indeciso entre ser mais fresco e ser mais intenso e ainda que surpreenda é uma composição dissonante e desconfortável na pele.

A saída explora o lado mais verde da pimenta rosa, com o seu aspecto picante e frutado sugerido discretamente. Há algo estranho que surge logo em seguida, um aroma que remete a goiaba muito madura e a cheiro de suor. Depois disso surge um aroma floral confuso, que fica entre tuberosa, gardênia e rosa. Depois disso o perfume finalmente evolui para um floral mais delicado apoiado em uma base amadeirada com elementos chypre modernos dado o toque canforado do patchouli.A performance é de fato melhor mas a harmonia cristalina do Twilly original se perde em uma cacofonia de odores.É um perfume que surpreenderá se vender bem, pois é estranho de maneira geral.