12 de nov. de 2019

Xerjoff Shooting Stars Amber Star e Musk Star - Avaliação/Resenha/Review


Eu olhava com bastante receio para esse dois lançados feitos pela Xerjoff em 2014 visto que ambos tinham todos os sinais para serem nada realmente interessante. Primeiramente, já era suspeito que a marca somente oferecesse a ambos dentro de um kit que custa 700 dólares, impossibilitando de comprar cada um separadamente. Segundo, a temática de musk e ambar abre as portas muitas vezes para perfumes anêmicos de criatividade e clichês em composição, utilizando o preço e o pretexto dos materiais para empurrar fórmulas mediocres. Por último, o fato de não ter nenhum vínculo mais profundo com os asteróides da coleção Shooting Stars já parecia dar um indício de que esse era mais um lançamento feito apenas para movimentar a roda de lançamentos.

Ainda sim indo contra os indícios e possibilidades ambos são perfumes bem sofisticados e construídos e ainda que certamente sejam perfumes superfaturados na faixa de preço proposta é possível ver que realmente houve um esforço de desenvolvimento nas duas temáticas, procurando trazer os temas batidos como o do ambar e o do musk com harmonia, progressão e riqueza de detalhes. Ambas as estrelas parecem olhar a temática oriental sob a ótica do que as nomeia e são um exercício de perfumaria do passado e perfumaria do presente.

Amber Star é a estrela da dupla que se aproxima mais da perfumaria do presente, sendo uma representação mais óbvia e direta do acorde ambar, que para quem não conhece em geral gira em torno de uma ou mais resinas incensadas (ou sintéticos fazendo o papel delas) e um aroma mais adocicado de baunilha. O aroma ambarado de Amber Star acompanhado do aroma floral branco do ylang me faz pensar em uma variação mais refinada e menos agressiva da mesma sintonia trabalhada em perfumes como Gucci I EDP e Ange Ou Demon.Aos poucos seu aroma faz uma transição de algo que poderia ser visto como algo mais feminino (devido ao lado floral) para uma rica base quente, onde há um aspecto distante de oud misturado a uma doçura controlada, um aroma amendoado resinoso e a um aspecto amadeirado moderado. É um perfume marcante, de boa fixação e rastro e é o que se destaca imediatamente na dupla.

Musk Star foi uma boa surpresa pois esperava pela composição um perfume que fosse segunda pele ou algo limpo, talvez com alguma doçura ou toque de incenso para complementar Amber Star. Entretanto, esse é um dos perfumes mais retrô da Xerjoff e um que me faz pensar em uma inspiração dos perfumes de almíscar da década de 70, que se utilizavam de uma riqueza de aromas florais, amadeirados e aldeídicos para modular a maciez e delicadeza do aroma dos musks, ainda que não deixassem isso explícito ao público. Musk Star vai nessa direção e abre com um bouquê floral complexo à moda antiga, cintilante até, como se tivesse um leve toque de aldeídos junto com o aroma mais especiado seco e as nuances atalcadas de iris. Mas há claramente já nessa fase a presença de algo que emula o agarwood, trazendo um toque mais moderno à pele.

Num segundo momento o perfume mostra seu lado mais resinoso e vai para um oriental vanilla que me remete ao cheiro de frutas secas e resinas. Um aroma mais carregado em musks na base torna a finalização de Musk Star mais rente à pele, mais sutil em comparação a seu irmão, mas de forma geral o perfume é uma boa surpresa pela construção muito bem feita e inesperada. Como você é obrigado a comprar os dois juntos, eu diria que nesse caso vale a pena explorar um layer de ambos, utilizando musk star para tornar a sáida ainda mais rica e suavizar a evolução intensa do Amber Star. É uma pena que a marca não os ofereça em tamanhos menores e mais acessíveis para que mais pessoas pudessem conhecê-los.