5 de dez. de 2019

All Saints Incense City, Sunset Riot, Metal Wave - Avaliação/Resenha/Review


No momento atual ainda tem-se a impressão de que perfumaria comercial e de nicho tendem a ser dois universos que não se misturam mas a verdade é que ambas as abordagens podem conviver de maneira harmônica dentro de um projeto. Essa talvez seja a características mais interessante da linha de 5 perfumes proposta pela varejista All Saints e não a novidade do que é entregue em si. A Marca propõe uma espécie de curadoria que em sua essência é comercial, sem grandes preocupações conceituais e sem medo de se inspirar em outras criações. Mas há uma preocupação em oferecer uma experiência mais selecionada e sofisticada em sua apresentação e na escolha dos perfumes que são entregues. Por 80 dólares e com a apresentação que é proposta a falta de originalidade da All Saints se transforma em uma virtude pois a marca abre as portas de uma perfumaria mais sofisticada de maneira mais acessível e sem perder qualidade.

Incense City é um dos projetos da marca que reflete mais diretamente o conceito proposto. O destaque é dado para notas de incenso, cedro e cipreste em uma composição de caráter oriental e é justamente isso que a marca entrega, um incenso monolítico, um cheiro quente, fumegante, amadeirado e resinoso, como se o ambiente fosse preenchido pelo cheiro de madeiras embebidas em resinas aromáticas e o aroma defumado e amadeirado se espalhasse pelo ambiente. O cheiro em si me faz pensar nos perfumes de incenso da CDG e no excelente e descontinuado Bois d'Encens

Sunset Riot te propõe um ambar explosivo e viciante criado ao redor de pimenta rosa, rosa, flor de laranjeira e cedro. É uma descrição que não reflete assertivamente a natureza da fragrância, que em sua essência é uma versão de baixo custo de um perfume que tem aparecido de maneira recorrente, MFK Baccarat Rouge. Sunset Riot propõe um aroma mais cítrico e aromático à saída dessa ideia de rosas e ambroxan, suvizando o aspecto doce do original. Dos 3 testados é o que a princípio parece ser o mais suave, porém seu cheiro aparentemente continua a exalar da pele mesmo depois que você não o sente mais, gerando elogios.

Metal Wave é para mim o mais interessante e arriscado dos 3 e ao mesmo tempo o que menos reflete o nome e o conceito proposto. A ideia é entregar um musk inesperado, em camadas, envolto em uma criação oriental, o que o perfume até entrega bem, porém sem os destaques de junípero e magnólia que a criação te induz a esperar. Não há nada muito metálico aqui também, o máximo que se chega perto disso é algum material sintético que dá um aroma antiséptico similar ao encontrado no Vanille Exquise de Annick Goutal. Em sua essência Metal Wave é interessante para mim pois ele parece justamente um híbrido de 2 criações pouco conhecidas do público geral: a baunilha estranhamente cremosa e artificial de Vanille Exquise e o aroma de sândalo e amendoim do Bois Farine da L'Artisan. Conforme o tempo passa Metal Wave se torna cremoso, adocicado e aconchegante e não se torna apagado ou rente demais na pele, o que é um risco de criações onde o musk adquire protagonismo.