16 de dez. de 2019

Carolina Herrera Good Girl - Avaliação/Resenha/Review



Quando lançado em 2016, o perfume Good Girl da grife Carolina Herrera surpreendeu em suas vendas e receptividade até mesmo o próprio grupo que administra a licensa da marca, a Puig. A projeção de vendas para o primeiro ano do perfume chegou a uma marca de 200 milhões de acordo com notícias divulgadas, algo muito superior ao esperado. Os pedidos tanto dos lojistas quando dos consumidores foram muito altos e o perfume se tornou o mais vendido simultâneamente em vários países (suspeito eu que no Brasil também deve ter sido). Na época especulou-se se foi o frasco, a propaganda mais ousada ou o perfume que ocasionaram tremendo sucesso, entretanto observando as reações das usuárias ao perfume certamente é uma combinação principalmente de frasco e perfume em si, onde um desperta a curiosidade e o outro mantém o interesse na criação.

Good Girl foi feito para ser um perfume mais ousado, criado sob a inspiração da dualidade da mulher de poder ser tanto boa como atrevida. Eu diria que a interpretação dessa dualidade é justamente o que torna Good Girl um sucesso: um perfume que ao mesmo tempo que é familiar e conhecido parece ter seus truques e segredos nas mangas, seu lado atrevido escondido sobre a camada inocente gourmand. Aliás, assim como UltraMale esse é outro perfume que também se distorce e não revela seu potencial completo na fita olfativa, nesse caso parecendo exagerado demais no aspecto frutado do floral branco e que remete a uva. Good Girl deve ser testado na pele para que revele de fato quem realmente é.

Da mesma forma que UltraMale, Good Girl não vai direto para uma interpretação açúcarada e de algodão doce e é um perfume de contrastes. Como estamos dentro de uma criação feminina, há mais espaço para que se trabalhe um acorde floral mais sensual e até mesmo inebriante, onde as próprias flores são trabalhadas num contraste entre um sensual mais direto e óbvio do aroma do jasmim e um aroma floral exótico e de nuances herbais da tuberosa. As notas gourmands de Good Girl também parecem oscilar, pois ao testar em algumas ocasiões o aroma mais açúcarado e amendoado envolvia as flores brancas e em outras ocasiões o aspecto mais torrado e amargo da combinação de café e cacau se destacava em mais evidência junto com as notas amadeiradas e ambaradas que levam Good Girl a uma direção mais oriental nos momentos finais de evolução.

Talvez seu aroma possa ser enjoativo para algumas pessoas e principalmente em ambientes quentes e abafados/úmidos, entretanto por mais que Good Girl tenha seu lado mais exagerado a impressão que me passa é que seu perfume cumpre muito bem o conceito que levou a sua criação, oferecendo algo que quando você analisa nos detalhes faz sentido e tem coerência. É uma boa criação comercial, não apenas um frasco bonito para as mulheres colecionarem. E se não fosse pelo nome e conceito criado, certamente Good Girl seria algo tentador para muitos homens que buscam aromas gourmands e que chamam a atenção, já que a sua dualidade pode ser carregada, no final das contas, para o contraste entre notas com características mais "masculinas" e mais "femininas" que dançam entre si numa sinfonia sensual.