5 de dez. de 2019

Dior Sauvage Parfum - Avaliação/Resenha/Review


Conceito: 8
Olfativo: 9
Performance: 8
Nota Final: 8,5

Composição Nota:

25% Conceito, 50% Olfativo, 25% Técnico
Preço Oficial: 798 reais 100ml

Categoria: Comercial

Na última década a perfumaria da Dior tem seguido de perto os passos da Chanel e tentado abocanhar o mesmo mercado/público. O nascimento de Sauvage em 2015 foi uma grande prova disso: lançado cinco anos após a consolidação do sucesso de Bleu de Chanel seu estilo fougere aromático bebia da mesma fonte, porém maximizado nos musks e no ambroxan e no frescor da lavanda. Isso aliado a uma boa estratégia de marketing e de distribuição catapultou o sucesso de Sauvage para um nível absurdo de sucesso. Seguindo de perto o que a Chanel fez com o Bleu a Dior primeiramente lançou uma concentração edp para o perfume e finalmente em 2019 chega a versão pure parfum, feita para ser uma edição mais rica e intoxicante da ideia.

Da mesma forma que o Bleu, Sauvage Parfum também põe a ênfase de sua riqueza e preciosidade em um sândalo natural de qualidade exepcional, de uma fazenda no Sri Lanka que trabalha com a Dior nos últimos 10 anos. Essa versão do Sauvage foca em algo mais misterioso, abstrato, com inspirações focadas em fogueiras, céus escuros e pradarias ao luar. É uma tentativa de unir algo mais racional/comercial com algo mais emocional/exclusivo trabalhando dentro dos limites da perfumaria de massa. E nesse sentido o perfume supera minha expectativa com o que é entregue.

Acho que é um perigo esperar a concentração Parfum ser de fato uma versão altamente concentrada do original. Isso pode criar expectativas ilusórias de algo ainda mais intenso no aroma salgado, segunda pele e limpo da concentração EDT. Sauvage Parfum é justamente o que François Demarchy descreve, algo mais redondo e com um ar noturno mas que não compromete o frescor, que continua sendo o centro da composição. Como um legítimo Parfum clássico o perfumista torna a base mais evidente e presente, o que certamente pode causar a impressão de que o perfume projeta menos e, consequentemente, dura menos.

Ainda que os contrastes e o lado animal não seja entregue 100% Sauvage Parfum é muito bem composto do ponto de vista olfativo. O aspecto artificial da lavanda da versão EDT não está mais presente e o lado mais cítrico e aromático parece mais sofisticado, mais próximo do que foi feito no Bleu de Chanel. O perfumista é mais sábio ao ancorar o sândalo aqui, não deixando que a madeira em seu aroma natural abafe a composição, criando sempre contrastes para manter essa concentração evidente no nariz.

Na saída, o contraste está entre o aspecto fresco e limpo dos cítricos e algo levemente apimentado e seco, que me faz pensar em pimenta preta talvez. A Lavanda que surge depois mantém essa contradição, trazendo algo que me remete a lavanda infantil mas ao mesmo tempo tendo um lado mais aromático/canforado e quase sujo que fica na periferia do olfato. Aos poucos a versão parfum evolui para algo mais espiritual, onde o amadeirado discreto e confortável do sândalo ganha aspectos minerais do incenso e uma base amadeirada mais comercial que me faz pensar em um mix de cedro e vetiver. Aos que esperam musk e ambroxan aqui irão se desapontar, pois o perfume não termina com essa evidência.

Aparentemente o massivo sucesso da versão EDT levou a Dior a focar as diferentes concentrações do Sauvage para públicos diferentes. A versão EDP ainda estava bem próximo da original, mas porém com mais labdanum, dando uma aura mais clássica, seca e até mesmo animálica. A versão parfum é bem sucedida em trazer um aroma de incenso e madeiras a ideia e de todas as versões é a mais rica, porém ao fazer isso compromete o apelo massivo da concentração EDT e certamente não foi feita para quem amou o EDT lançado em 2015. Quem nunca viu muita graça no EDT, porém, pode se surpreender positivamente com o que é entregue aqui e achar um perfume que une frescor e misterio sem sacrificar nem um nem outro.