11 de dez. de 2019

Natura K Max - Avaliação/Resenha/Review


Conceito: 10
Olfativo: 10
Técnico: 10
Nota Final: 10

Composição Nota:
25% Conceito, 50% Olfativo, 25% Performance
Preço Oficial: 179 reais 100ml
Categoria: Comercial Nacional

Talvez a nossa síndrome de vira-lata não nos permita enxergar isso devidamente mas vivemos um momento inédito em termos de perfumaria nacional, principalmente quando se analisa um player especifico no mercado, a Natura. Até pouco tempo atrás a perfumaria brasileira de maneira geral estava sempre ancorada na inspiração externa ao mercado nacional e não na construção de uma identidade própria. Assumia-se também, em boa parte, que por ter uma estrutura de mercado de massa não era necessário realmente investir no perfume como algo mais elaborado e bem construído. Você empurrava qualquer conceito, um olfativo que lembrasse algum sucesso comercial e que chamasse a atenção pela saída. E era o suficiente para vender. Por isso quando olho para o K Max vejo algo incomum dentro do mercado nacional e outra vez aplaudo o que a Natura tem feito.

Talvez estranhe um perfume nacional com uma nota 10 em todos os critérios, porém de fato K Max atinge perfeitamente tudo que se propõe a fazer em uma coerência de projeto que se é rara de maneira geral é ainda mais rara dentro de perfumaria comercial. A ideia de fazer um perfume instigante e misterioso que se revela pouco a pouco é algo que é vendido inicialmente pela apresentação, pelo belo frasco, e que vai se mostrando na pele com o perfume em si. A proposta da marca era entregar o seu aromático mais intenso, com performance e com um aroma único, elegante e moderno. A grande estrela do perfume em questão é a madeira de Olíbano, que contrasta com o frescor do poejo, uma erva na família da menta. E de fato o perfume entrega tudo isso e de uma maneira impecável.

K Max me parece trazer para um contexto moderno o que os clássicos da perfumaria possuem: complexidade, preocupação com todas as fases do perfume, coerência, equilíbrio entre materiais naturais e sintéticos. A ideia de trazer o Olíbano para o contexto de um perfume aromático com frescor é bem inteligente. Ainda mais inteligente é mover a associação para a madeira da qual a resina é extraída em vez de mencionar a resina e o aspecto incensado em si, evitando assim um pré-conceito inicial que muitas pessoas tem com incenso, imaginando o incenso como algo pesado e esfumaçado.

Aqui, o aspectos mais minerais, leves e até mesmo cítricos e especiados do incenso são o coração da construção, criando a aura misteriosa, harmônica e elegante que sustenta e dá performance ao perfume na pele. Em cima disso é criado um complexo perfume que balanceia ervas aromáticas frescas, o aroma de especiarias frias/refrescante e até mesmo um toque do novo frescor aquático clássico, fazendo um link sutil com o K e criando um aspecto familiar fresco/aquático e que se sustenta de maneira distinta. Lentamente o perfume vai se transformando, revelando facetas mais amadeiradas bem equilibradas e um aspecto de incenso que trás o lado mais mineral da ideia e sugere de maneira discreta o aspecto mais esfumaçado do incenso para criar o ar de mistério da composição. O perfume encaixa ainda vetiver, sândalo e até mesmo um aspecto ambarado mais agressivo e seco sem tirar o perfume do seu contexto aromático.

K Max é feito de fato com a preocupação de fazer um perfume que seja duradouro por muitas horas na pele: a marca utiliza a ousada proposta de "até 10 horas", mas como isso é algo que varia de pessoa para pessoa é difícil que eu te diga definitivamente que isso é fato. O que posso avaliar, entretanto, é que o perfume realmente não perde a intensidade na pele depois de algumas horas aplicados e vai exalando uma aura amadeirada/mineral durante sua vida. É um projeto surpreendentemente redondo em todos os sentidos e um que se fosse sentido no escuro, fora de contexto, poderia muito bem ser um perfume comercial importado até mesmo mais exclusivo/arriscado. Que isso seja feita dentro da perfumaria nacional e que não custe mais de 200 reais e usando olíbano de verdade e de maneira proeminente é algo muito surpreendente.