5 de dez. de 2019

Versace Eros Flame - Avaliação/Resenha/Review



Conceito: 5
Olfativo: 5
Técnico: 8
Nota Final: 5,7

Composição Nota:

25% Conceito, 50% Olfativo, 25% Técnico
Preço Oficial: 300 reais 30ml, 400 reais 50ml, 500 reais 100ml

Categoria: Comercial

Quando se olha superficialmente o lançamento de Eros Flame há uma estética que casa perfeitamente com a Versace. A grife de moda é conhecida por uma extragavância que beira muitas vezes o vulgar, uma sexualidade que não tem pudor de ser expressa por meio da moda e que em Eros Flame se traduz em um exagero em diversos elementos, do frasco à propaganda ao conceito em si. Desde 2006, porém, em termos de perfumaria a marca tem jogado de maneira bem conservadora, dentro das regras do jogo e seguindo bem firme as tendências lançadas. O resultado do que é entregue aqui não foge desse conservadorismo comercial e decepciona apesar de não surpreender.

Eros Flame promete algo forte, apaixonado, para um homem auto-cofiante que está em profundo contato com suas emoções. O frasco vermelho e o próprio nome prometem essa intensidade de emoções e aromas e a propaganda tem a ousadia de trazer a reinterpretação da clássica escultura onde Eros reaviva Psiquê com um beijo de amor. É bastante simbolismo jogado fora com um perfume onde que falta é justamente paixão e auto-confiança, como em um trabalho em grupo onde as frentes que desenvolveram frasco, propaganda e conceito não se comunicaram efetivamente com quem de fato desenvolveu o conceito da fragrância que seria dada ao perfumista.

Eros Flame é um passo para trás e não para frente do que foi feito no perfume Eros, criado em 2012 e que de certa forma se tornou ao longo do tempo um clássico para a marca. Em vez de ser uma versão ainda mais ousada e apaixonada é como se Eros Flame emudecesse as arestas mais agressivas e artificiais do Eros em favor de um contraste que nunca vêm. Isso produz um perfume estranho, até mesmo desconexo. A saída soa agradável, como se seu aroma cítrico e adocicado fosse uma variação do que foi feito nos perfumes Sauvage e Bleu e nos que vieram depois inspirados nele. O que vem depois é uma sucessão estranha de elementos.

A impressão que dá na pele é que o contraste que era pretendido para passar o caráter apaixonante do perfume cria um aroma onde os elementos contrastes colidam e matam um aos outros. Há um aroma mais fougere, fresco e até mesmo ambarado e também há um aroma mais oriental bem clássico, algo que mistura baunilha e coumarina. Ambos juntos emudecem um ao outro em alguns momentos criam um cheiro artificial que chega a remeter ao cheiro de lubrificante e anti-corrosivo. É algo que incomoda na pele mas que felizmente não predomina. Eros flame evolui para uma base amadeirada discreta e parte da suposta aura apaixonante oriental proposta simplemente se perde. É um perfume incoerente e que não sustenta a extravagância proposta. Pelo menos não decepciona em performance/projeção, porém comparado com o Eros tradicional até nisso parece ser menos do que mais.