24 de jan. de 2020

Lancôme Sagamore - Avaliação/Resenha/Review


Chega até a ser curioso se você compara a perfumaria da Lancôme pré década de 90 e pós decada de 90. É como se nas mãos da perfumista Sophia Grosjman a marca como uma espécie de Fênix renascesse em termos de popularidade e vendas, passando então a cada década a garantir pelo menos um grande sucesso de vendas na perfumaria feminina.

Na perfumaria masculina, porém, a marca aparentemente desistiu de tentar e desde Hypnose Homme, de 2007, nunca mais criou nada voltado ao público feminino. Não que os perfumes masculinos da Lancôme sejam ruim porém para perfumaria comercial eles erram o momento e acabam não criando fãs o suficiente para permanecer nas vendas. É o que vejo, por exemplo, no perfume Sagamore.

Criado no meio da década de 80 Sagamore é uma criação excelente e clássica que fica entre um chypre e um fougere parecendo combinar influências de ambos os gêneros. Seu aroma combina cítricos clássicos e elegantes com lavanda e gerânio e toques de especarias. A base chypre cria uma dose generosa do aspecto aveludado e terroso do musgo de carvalho, sustentando a fragrância em meio ao aroma amadeirado e um aroma mais clássico de musks.

Só que o que Sagamore entrega nada tem a ver com a década de 80 - é um perfume que não é chamativo, agressivo ou até mesmo sexual para combinar com os exageros associados a década. O conceito em si também já é estranho para os anos 80 - um perfume que em seu nome faz alusão a um cacique de tribos americanas ao mesmo tempo que trás o conceito de uma fragrância para homens maduros, algo que teria seu público até os anos 70 mas depois disso não conseguiria competir nas prateleiras comerciais.

Entretanto esse é o tipo de fragrância elegante e clássica que é capaz de conquistar um público cativo e bem definido, o que a torna mais adequada ao que temos hoje como perfumaria de nicho/exclusiva. Não a toa Sagamore ainda existe e é vendido mesmo que reformulado em versões limitadas e vendidas apenas nas lojas francesas da Lancôme.