29 de jan. de 2020

Roja Dove Diaghilev Parfum - Avaliação/Resenha/Review



Eu diria que esse é um perfume simbólico dentro da marca de Roja Dove pois representa um ponto de virada na fama, precificação e estética da marca como um todo. É o momento onde no início da década de 2010 Roja Dove se coloca como uma espécie de patrono da perfumaria onde o luxo envolve o preço, apresentação e o aroma e onde o diretor criativo, sua equipe e seus investidores entendem que a perfumaria do passado poderia muito bem ser o luxo caríssimo do presente.

Inicialmente Diaghilev nasceu como uma versão EDP e em edição limitada, feita para celebrar a vida do famoso empresário artístico russo, fundador dos Ballets Russes e um importante incentivador da arte onde dança, música, pintura e arte se juntam em algo fluído e único. Diaghilev era conhecido por ser um grande fã do perfume Mitsouko e ao criar a homenagem a figura histórica Roja Dove se inspirou em trazer a vida de volta a alma clássica do chypre mítico da Guerlain. Algum tempo depois é que o perfume foi então relançado em uma versão ainda mais opulenta e sofisticada, pure parfum.

Talvez uma das coisas mais irônicas dos perfumes chypres clássicos é que eles são capazes de oferecerem justamente uma das coisas que as pessoas buscam hoje, intensidade e performance. Mas Chypres clássicos não oferecem gratificação instantânea, eles são criaturas tão complexas quanto o próprio ser humano. E de fato talvez o chypre clássico seja de todas as famílias olfativas a única que seja capaz de unir perfeitamente as energias masculinas e femininas em uma única sintonia.

Olfativamente falando Diaghilev parece pegar a dinâmica misteriosa do pêssego, flores e musgo de carvalho do perfume Mitsouko e elevar a máxima potência de drama, impacto e fluidez de elementos. É um perfume complexo, uma sinfonia clássica onde um ato contínuo de dançarinos olfativos se alternam em uma melodia onde o aspecto terroso e sóbrio do musgo de carvalho reina junto a uma base animálica e até mesmo suja. É como se a força espiritual e primal do ser humano fosse adornada de mil flores, especiarias e cítricos em um drama intenso, enriquecedor e que exige paciência de seu expectador para que seja capaz de acompanhar sua complexa sinfonia.

Diaghilev é um perfume que ao homenagear uma figura clássica das artes e um perfume clássico e atemporal encontra seu próprio local e sua própria história na complexidade, beleza, espiritualidade e imperfeição do ser humano. Esse não é apenas um perfume, é uma jornada olfativa com um aspecto espiritual escondido em seu aroma.