24 de jan. de 2020

Roja Dove Kingdom of Saudi Arabia - Avaliação/Resenha/Review

Eu diria que um dos maiores fatores que catapultou a marca de Roja Dove para o grupo das marcas desejadas e celebradas pelos consumidores foi justamente sua capacidade de criar uma narrativa de luxo onde preço, frasco, conceito e fragrância estavam em sintonia entre si. O que muitos apaixonados por perfumes não entendem é que o aroma sendo uma arte invisível e abstrata não depende somente do olfato em si, mas da experiência que se constrói junto e o que faz um perfume valer o que ele custa é justamente essa sintonia de elementos não (apenas) a preciosidade da fórmula em si.

Dito isso, começo a perceber talvez que o alto volume de lançamentos e a necessidade de ser várias marcas para vários públicos começa a mostrar sinais de desgaste ou de desalinho entre os elementos que tornam a marca Roja Dove forte. Na minha visão, Kingdom of Saudi Arabia demonstra perfeitamente isso. É uma composição que mira no lucrativo mercado árabe, na riqueza aromática tradicional dessa cultura e na nobreza de materiais como a rosa ta'if e o agarwood. Ao mesmo tempo, é um perfume que claramente que agradar o nariz ocidental e trazer uma modernização/suavização a um aroma árabe que dependa do agarwood. O problema é que isso é executado de uma forma onde os 4 elementos que citei no começo não se ajustam em harmonia.

Não se pode afirmar com certeza se a fórmula aqui é ou não barata, mas mesmo que tenha sido utilizado os melhores musks e sintéticos junto com rosa e agarwood de qualidade o resultado final me parece um perfume que tenta fazer uma versão de luxo da criação designer de Hugo Boss de 2005 - Boss Soul. Isso não fica evidente na saída, já que um aroma animálico e amadeirado de agarwood é o que salta ao olfato inicialmente. É um excelente agarwood, bem equilibrado em suas nuances e que ganha detalhe frutados e frescos interessantes. Porém, conforme a composição avança ela vai para uma espécie de oriental especiado leve que remete a mesma ideia presente em Boss Soul, sem nenhum refinamento ou melhoria que pudesse justificar a semelhança. A presença da rosa ta'if acaba sendo muito sutil e praticamente passa batida em meio ao aroma de agarwood e a orquestração frutal, spicy e oriental que vem.

Esse tipo de avaliação as vezes leva as pessoas a entenderem que o perfume é ruim, o que de fato ele não é, é uma composição harmônica, interessante e bem equilibrada. O problema é que como perfume de luxo de 450 libras ele não convence, não vende bem a narrativa proposta. Se fosse um perfume árabe de uma marca comercial certamente seria um destaque, mas como luxo deixa a desejar.