13 de jan. de 2020

Viktor & Rolf Antidote - Avaliação/Resenha/Review



Baseado na alta avaliação do perfume no fragrantica e na quantidade fiel de usuários que lamentam seu sumiço chega a ser surpreendente que Viktor & Rolf tenha descontinuado Antidote. Mais surpreendente ainda é que seu aroma Oriental Amadeirado se encaixa bem entre os outros perfumes da década, podendo se encaixar no que outras marcas teriam lançado entre 2000-2010. O que teria então levado Antidote a fracassar?

Minha primeira hipótese é relacionada ao marketing em si. Um ano após o lançamento de flowerbomb é que Antidote foi criado em 2006 e certamente Viktor & Rolf não era um nome muito conhecido do público. O frasco ainda que elegante tem um certo ar retrô que não se encaixa com a perfumaria de massa da época. E para dificultar as coisas a propaganda tem um ar sombrio e até mesmo estranho, algo que sugere em certo ar fantasmagórico. Isso não me parece ajudar nem um pouco uma marca desconhecida do público.

Desconsiderando que isso tenha influenciado o sucesso do público, minha segunda hipótese é que por mais que Antidote seja um perfume equilibrado, elegante e misterioso lhe falta uma identidade mais intensa que permitisse a marca se posicionar - algo que foi atingido com sucesso em Spicebomb.

É curioso que Antidote descenda indiretamente de dois outros perfumes que utilizam a lavanda como peça central de saus composições e que também não venderam o suficiente para permanecer no mercado: Gucci Nobile de 1988 e Gucci Envy de 1998. E curiosamente os 3 perfumes possuem a mesma coloração verde para o líquido, só que em diferentes tonalidades.

Antidote fica entre o aroma fougere amadeirado do Gucci Nobile e o aroma oriental amadeirado de envy. O aspecto aromático fougere da lavanda é uma peça central aqui, porém ela é despida de seu carater mais limpo e fresco e vestida em um leve e misterioso incenso e um uso complexo e bem equilibrado de especiarias quentes (canela) e frias (cardamomo e noz moscada), com o uso de cítricos e menta para criar uma impressão exótica, fresca com toques mais picantes equilibrados por cítricos e um frescor quase mentolado.

O maior problema de Antidote é que passado essa saída o perfume parece apelar para uma evolução amadeirada que por mais que seja elegante é talvez discreta e dá a impressão de que o perfume não tem uma boa fixação na pele. Até mesmo do ponto de vista da imagem criada na publicidade isso não faz sentido, pois mata o mistério que é construído. Talvez hoje no momento que os fougeres voltam a renascer Antidote teria mais chances de fazer sucesso e garantir pelo menos uma versão intense ou edp que resolvesse os problemas da base. Para o primeiro perfume de uma marca que precisa se firmar entre quem a desconhece foi um risco que não deu certo.