13 de fev. de 2020

Olibere Le Jardin d'Amelie e Le Jardin de La Reine - Avaliação/Resenha/Review


Com exceção de Le Jardin de Madame Chan que se destaca pela sua aura mais clássica e opulenta os perfumes da coleção Les Insoumises possuem em sua essência uma aura primaveril que varia em intensidade e frescor cítrico e floral entre os integrantes.

São perfumes de bom custo-benefício e que parecem oferecer algo mais exclusivo mas com uma dinâmica mais comercial, como se fossem versões melhoradas de ideias já conhecidas do público. Acabam valendo a pena pois as construções olfativas que Luca Maffei entrega aqui são excepcionais mesmo quando os temas já são conhecidos. E para perfumes frescos/leves a performance não deixa a desejar.

Le Jardin d'Amelie

Le Jardin d'Amelie é inspirado na protagonista do aclamado filme francês "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Tal qual quem lhe inspira é um perfume delicado e alegre e que marca a sua presença de uma maneira mais discreta e persistente.

É interessante que o perfumista usa o ruibarbo aqui sem que ele dê um lado mais azedinho a fragrância, que apresenta uma aroma verde e suculento que ao meu olfato é como um acorde imaginário de maçã verde e folhas cítricas.

O corpo floral do perfume é delicado, cítrico e alegre e mantém a aura primaveril da saída, evoluindo para uma base onde o musk, ambar e o acorde amadeirado se combinam num bloco segunda pele com um leve toque doce e exótico, que parece ajudar a sustentar a leveza da composição na pele. Bem condizente com a protagonista que o inspira.

Le Jardin de La Reine

Já Le Jardin de La Reine é inspirado na famosa rainha francesa Maria Antônieta e provavelmente na versão mais moderna da sua história, o filme de Sofia Coppola. Para a famosa rainha francesa é dedicado um perfume centrado na rainha das flores, a rosa, e é construído uma espécie de amadeirado oriental musk ao estilo de fragrâncias como Idylle e Narciso Rodriguez.

O que muda é a qualidade da rosa utilizada aqui, que demonstra seu lado mais verde e parece remeter também ao caule e às folhas das rosas. De alguma forma um lado de ambergris parece brilhar mais forte entre o aroma oriental amadeirado e é uma maneira de ligar a obsessão de Maria Antônieta pelo ambergris (a rainha chegou a impregnar as paredes de seus aponsentos com ambergris).

Le Jardin de La Reine parece ser uma ponte entre o lado mais primaveril da coleção e o perfume oriental mais exótico, Le Jardin de Madame Chan, e é certamente um que mesmo tendo um aroma conhecido irá agradar bastante ao público feminino, representando bem uma rainha moderna.