2 de abr. de 2020

Bvlgari Le Gemme Irina - Avaliação Perfume

Cada trio especial de criações dentro da coleção Le Gemme permite à Bvlgari explorar diferentes aspectos do Oriente na perfumaria. Se com o trio Orientali a marca vai numa direção mais árabe e com o trio Le Reali em uma direção ocidentalizada é com a trilogia Imperiali que a marca explora o Oriente do ponto de vista asiático, mais especificamente a China Imperial. Esse trio se destaca dos outros por centrar-se em apenas uma pedra, Jade, e em uma flor que unifica os conceitos dos perfumes, a magnólia.

Em Irina a marca volta-se para explorar um conceito que é bem difícil de ser executado de maneira luxuosa, a criação de um perfume branco, um que reflita o brilho da jade branca que simboliza o conceito, bem como as conotações florais brancas da magnólia. O perigo de conceitos brancos é que quase sempre caem no clichê de exagerarem em musks para atingir o efeito e dependendo de como isso é efeito o resultado desejado de luxo não é alcançado. É talvez o maior problema de Irina.

Não há nada de novo na ideia floral branca executada, entretanto Irina faz um belo trabalho de capturar a delicadeza e frescor da magnólia em um perfume delicado como se esperaria de uma criação com temática asiática. A ideia de magnólia não exagera nos cítricos e parece sugerer a textura delicada das flores, com algo que chega a me remete o aroma de crisântemos. Logo em seguida surge um jasmim fino, com um discreto aspecto indólico e que casa muito bem com o conceito. Infelizmente a base atrapalha a fragrância desde o começo e tem um aspecto de musk que parece uma versão anabolizada da base de um perfume da avon. Pode até sustentar o perfume por um bom tempo na pele, mas estraga o conceito de um floral branco luxuoso e delicado. É uma fórmula que você consegue ver como uma proeza em um segmento comercial com orçamento menor mas que desaponta numa faixa de preço de luxo que a Bvlgari posiciona essa coleção.