28 de abr. de 2020

By Kilian Rolling in Love - Avaliação Perfume


É interessante o como a descrição do perfume Rolling in Love te induz a conclusões bem diferentes do que o perfume realmente entrega de fato. De acordo com a marca, esse é um "musc de peau", um perfume segunda pele, aconchegante como um casulo e que traria uma abordagem mais direta e menos facetada que suas últimas composições. Chega a ser curioso essa parte já que multifacetado não é algo que eu associo com os perfumes da Kilian, mas o objetivo aqui para mim é bem claro: ir atrás do público feminino que pode não ser o público principal da Kilian, alguém que pelo jeito tem dinheiro e não entende muito de perfumaria.

Digo isso pois Rolling in Love é basicamente o que você obtem quando pega um projeto de fórmula de um perfume da Avon que deseja copiar o La Vie Est Belle e dá orçamento a ele para que possa investir em materiais caros e luxuosos. É uma criatura esquisita, um híbrido de perfumaria barata e acessível versus perfumaria opulenta e rica, comprimido em uma criação que chega bem próxima de ser tediosa e é salva por um detalhe: a iris.

É um perfume que nesse sentido serve como exemplo do que muitos clones do La Vie Est Belle não conseguem atingir por não terem orçamento na fórmula para isso, uso da quantidade certa de raiz de iris para conferir um ar sofisticado e nostálgico. É a única parte realmente interessante de Rolling in Love, de resto é um perfume bem massificado tentando copiar perfumaria comercial e se passando por nicho. Aqui temos uma saída frutada bem fácil de agradar, seguido por um aroma açúcarado que você facilmente encontra nos perfumes que querem criar uma ideia de praline, açúcar queimado, algodão doce e qualquer outro nome que se dê para o uso de etil maltol em um perfume.

Quando a iris aparece depois dessa entrada há algum ar de sofisticação, e a caricatura do La Vie Est Belle é completada com a utilização das flores brancas no coração da fragrância. Talvez o que acabe divergindo é uma base mais simples e direta, que tira o patchouli dá ênfase no tão divulgado acorde aconchegante de musc e baunilha.

Não é bem um perfume segunda pele pela quantidade de açúcar e toque frutados e flores brancas. Também não é um perfume gritante pela forma como evolui. Rolling in Love não é um perfume de massa pela iris que usa, mas também não é um perfume sofisticado pela forma como utiliza a baunilha. açúcar, frutas e musk na composição. Uma coisa certamente ele é,mais um perfume que pula no vagão do La Vie Est Belle e tenta colher frutos oferecendo mais do mesmo, porém diferente.