22 de abr. de 2020

Lubin Korrigan, Akkad e Galaad - Avaliações Perfumes



Não é de hoje que a Lubin se inspira na história da humanidade e nas lendas do passado para criar perfumes que tenham algo a contar e sejam contemporâneos em seu aroma. Ainda que na coleção Aristia a marca acabe pecando bastante no posicionamento e nos perfumes entregues em 2012 ela acertou em cheio ao expandir o clássico e bem recebido Idole de Lubin em uma coleção multicultural, acrescentando 3 perfumes em concentração EDP e que se inspiravam em diferentes civilizações e lendas do passado. Korrigan, Akkad e Galaad contam histórias distintas mas se unificam pelo uso bem equilibrado de madeiras, resinas e balsamos aromáticos tão antigos quanto as civilizações que são homenageadas.


Korrigan é o perfume que possui a histórica mais enigmática dos 3, partindo do que são lendas célticas que podem representar tanto fadas como gnomos ou até mesmo seres similares às sereias. Na narrativa contada pela Lubin eles são representados por uma composição que envolve os vários elementos que fariam parte da lenda que a Lubin cria para eles: uma saída aromática e especiada de zimbro, toques secos de bebida misturados a açafrão e uma base rústica, amadeirada e levemente animálica onde couro, agarwood cedro e vetiver criam essa aura mais primitiva. O grande uso de musk na composição acaba entretanto tornando-a muito rente a pele depois de poucas horas, o que decepciona um pouco.

Akkad acaba sendo também um perfume suave, mas com uma presença mais duradoura na pele. Homenageando o Império Acádio, o primeiro império mesopotâmico, Akkad seria inspirado na deusa suméria Ishtar e em elementos presentes em um bálsamo precioso que a Lubin não deixa claro se é ou não também relacionado a deusa. A aura de Akkad foca em explorar o ambar pelo seu aroma quente, seco e que remete a mel/própolis. Isso é feito de maneira que os aspectos mais dificeis fiquem na saída, equilibrados por um aroma cítrico que remete a laranja. Depois o perfume vai mostrando uma harmonia exótica onde o frescor do cardamomo se complementa com o aroma resinoso e fresco do elemi. A base me remete a uma versão um pouco mais resinosa da mesma ideia presente no Prada Amber Pour Homme, capturando o ambar por um lado mais delicado e macio.

Para Galaad saímos da Mesopotâmia e vamos em direção ao Egito, focando dessa vez na mirra, utilizada no famoso bálsamo de Gileade. Galaad é o que captura de maneira mais intensa e incensada a temática de resinas que permeia a composição. O perfume ressalta as sutis nuances de couro que a mirra possui e complementa sua aura resinosa com um agarwood ambarado e levemente doce. O perfume trás um toque mais contemporâneo e francês pela presença do rosmarinho, que dá um toque aromático seco e quase medicinal a saída. Conforme evolui Galaad abre espaço para um aroma mais amadeirado e para um discreto uso de um tabaco defumado com nuances de mel. Das 3 composições é o que soa mais luxuoso, enigmático e primitivo, parecendo capturar a aura quente e abafada do deserto.