22 de abr. de 2020

Lubin Upper Ten, Upper Ten for Her - Avaliações Perfumes


A grife francesa Lubin tem feito um bom trabalho de resgate de sua herança histórica, trazendo de volta nomes de seu catálogo de clássicos mas dando a eles uma roupagem nova. É o caso da dupla Upper Ten, que celebra um perfume que a Lubin fez ou lançou para o público americano inspirada em um termo criado por um poeta americano para referenciar as 10 mil pessoas mais influentes de Nova York. Para o conceito do perfume, o diretor criativo da marca menciona ter concebido o masculino para ser o perfume do homem que ousa fazer parte de um grupo seleto de homens que se perfuma não para se encaixar no grupo, mas para se destacar, pelo prazer de se perfumar.

O perfume na pele segue um caminho interessante e me dá a impressão de que a marca mirou tanto em algo que seja diferente mas que se adeque as preferências do público onde ela vende bem, no caso o mercado americano. Por isso, Upper Ten é uma espécie de explosão controlada de especiarias, um frescor inusitado obtido por um equilíbrio entre a pimenta rosa, o cardamomo, a canela, o cravo, o junípero e o açafrão. O cardamomo dá um toque fresco sem ser mentolado, a pimenta rosa confere um toque levemente frutado, a canela e o cravo uma aura mais quente e o junípero um aspecto especiado com um toque seco e de erva. O açafrão ajuda a realçar o aroma de couro e a conferir um leve quê de bebida também. O corpo do perfume é discreto, mantém o frescor e dá um leve aspecto floral cítrico a composição.A parte final da evolução é um aroma amadeirado que gira ao redor do sândalo e do cedro, e que curiosamente é discreto mas ao mesmo tempo parece crescer e criar uma aura amadeirada com um leve quê de couro em alguns momentos, principalmente quando a pele aquece. Acho que a marca fez um bom trabalho em criar algo sofisticado sem ser gritante e por isso algo bem versátil.

Um ano depois da versão masculina foi lançado Upper Ten For Her que tem a mesma proposta do masculino, celebrar o que seria a exclusivividade em termos de fragrância e adequado ao gosto do público americano. Ao passo que a versão masculina foi bem sucedida, a feminina me parece que ficou estranha. O perfume fica entre ser um oriental spicy e um gourmand não muito doce, mas algo na combinação passa um aroma residual com um aspecto químico e queimado. A composição abre com notas similares de especiarias de bebida, porém mais quente e menos fresca. Logo aparece um toque frutado licoroso e um aroma artificial de rosas, que rapidamente se mistura ao cheiro gourmand meio amargo e ao aroma meio queimado e artificial que surge de fundo. O equilíbrio e versatilidade que foi obtido na versão masculina acaba não sendo bem transposto para a feminina, mas em termos de performance e presença essa versão acaba se destacando mais na pele. Como essa espécie de ruído olfativo não é muito intenso pode ser que a sua percepção varie bastante de nariz para nariz, valendo a pena testá-lo na pele e tirar suas próprias conclusões.