4 de mai. de 2020

Akro Haze - Avaliação Perfume



Em Haze Olivier Cresp oferece um tema contemporâneo e que começou a aparecer com mais frequência nas inspirações da perfumaria: o aroma da maconha. Ainda que a erva não seja nada novo a sua utilização ainda é controversa, porém com a liberação progressiva para fins medicinais a maconha tem ganhado cada vez mais espaço. Sua imagem de contracultura e rebeldia jovem certamente continua forte e me parece ser justamente isso que Cresp tenta explorar em Haze.

O perfume oferece uma construção abstrata que é inspirada no ambiente de festivais de música e no aroma de uma variedade específica de maconha que é conhecida pelo seu teor maior de canabinóides e por ser originária na cordilheira de Indocuche, na região entre o Afeganistão e Paquistão. O perfumista não utiliza a erva em si, mas tenta reconstruir seu aroma por meio de outras ervas: hortelã, sálvia esclaréia, absinto e eucalipto.

Apesar de Haze ser temáticamente relacionado à maconha e remeter a ela na fita olfativa na pele o perfume é mais um ode às ervas, bebidas e ao patchouli. É como se o perfumista reimaginasse um hippie moderno, um cheiro de bebidas amargas mentoladas acompanhado de um patchouli menos terroso mas que ainda está lá para remeter aos hippies clássicos, à natureza e ao seu uso para mascarar o aroma da maconha. Poderia ser também um ode ao absinto, visto que seu aroma amargo, herbal e alcóolico brilha e rouba a atenção da temática principal retratada.

Akro Haze se mostra um perfume comportado apesar do aspecto mais transgressor e polêmico e dado a inspiração em algo viciante. Certamente seu aroma se destaca com algo mais ousado e arriscado entre a mesmice que se tornou a perfumaria de nicho contemporânea, mas não há nada tão chocante aqui que te impeça de utilizá-lo facilmente. Certamente algo livre e transgressor, porém responsável.