12 de mai. de 2020

Armani Privé Musc Shamal - Avaliação Perfume



É interessante como dois perfumes totalmente diferentes entre si acabam compartilhando simbolismos muito familiares na narrativa que resolvem contar. Como parte da linha Armani Privé voltada ao público árabe, Musc Shamal é uma homenagem ao aspecto opulento, misterioso e onírico do Oriente por meio de uma jornada ao deserto onde o vento de Shamal sopra e modela as areias em magníficas dunas.

Aqui temos como em Aenotus uma criação que faz homenagem aos ventos e utiliza-se dos muscs para representá-lo bem como do seu simbolismo para uma fragrância onde o rastro que é deixado é um fator importante. Aqui também há uma preocupação com o frescor, não caracterizado como um frescor cítrico mas representado pela escolha da luminosidade do aroma aldeídico dentro da composição.

Musc Shamal me deixa dividido com relação ao seu aroma, apresentando uma forma fluída, luxuosa e com ares retrô mas ao mesmo tempo tendo uma construção de musks que soa meio áspera ou grosseira as vezes. É interessante que a homenagem seja feita ao Oriente por uma marca do Ocidente, pois a execução na pele soa justamente o contrário.

Na pele Musc Shamal abre com o toque metálico e cintilante dos aldeídos, modernizado pela utilização de novas moléculas que conseguem trazer um toque retrô sofisticado. A parte floral parece sugerir algo retrô também, um acorde meio powdery de rosas que a princípio parece tímido e que aos poucos vai crescendo na pele junto com a baunilha e as notas ambaradas na medida.

Os musks oscilam entre atrapalhar a composição com um cheiro meio barato e áspero e ajudar a oferecer algo sedoso, luxuoso e que combina bem com a doçura da baunilha e calor do ambar. É quase uma fantasia perfeita de muscs carregados pelos ventos do deserto se não fosse por esse detalhe áspero como areias que vem junto dos ventos e atrapalham a visão.