8 de mai. de 2020

Chanel Les Eaux Venise - Avaliação Perfume


Se você observa atentamente o universo da Chanel perceberá que a marca não possui até hoje nenhum perfume que esteja firmado no território gourmand. A marca certamente incorpora as tendências do mercado em suas criações mas mesmo em suas criações mais exclusivas não há nada que realmente sinalize a utização de aromas como baunilha ou caramelo como peças importantes de sua identidade, como se isso fosse fazer Coco Chanel materializar e dar uma bronca em todos. Chega a ser intrigante, então, que Venice toque mesmo que de forma distante nesse território que é praticamente um tabú para a marca.

Cada viagem dentro da trilogia das Les Eaux representa uma forma da marca reimaginar os elementos de frescor de uma Cologne de acordo com o destino favorito de Gabrielle e aqui a ideia é unir o frescor, elegância e leveza desse universo com a paixão, intensidade, mistério e sensualidade de um aroma oriental para trazer o aspecto mais exótico e romântico de Veneza. A ideia aqui é brincar com contrastes porém se mantendo dentro dos limites de uma Eau. E é como se em Venise a marca quisesse representar Chanel permanecendo fiel a si porém fazendo concessões ao amor e romantismo da cidade, o que talvez explique então a presença da baunilha aqui.

É interessante que a primeira coisa que me chama a atenção é justamente a presença de um aroma bem discretamente açúcarado com a cremosidade da baunilha, algo que cria de fato o contraste que a marca promete na descrição, visto que você imediatamente sente um frescor verde que te remete a verbena. O perfume também parece empregar de maneira distante o aroma da iris, dando um leve quê atalcado e terroso que acaba sendo mais evidente no gel de banho do perfume mas que na versão perfume acaba se mascarando no coração de neroli. Diferente do Deauville a ideia de Neroli aqui explora mais o aspecto verde da flor, explorando nuances de rosas e o aspecto mais verde da flor. A ideia do contraste entre luminosidade e escuridão acaba se dissipando conforme o perfume vai para a sua base, que mantém um aspecto doce e ambarado mais distante, envolvendo-o em musks segunda pele.

Eu diria que em Venise a Chanel é bem sucedida no que se propõe, trazer romantismo e um toque oriental a uma perfume onde a peça central é o frescor e leveza. Dentro da abordagem mais conservadora da marca é interessante que ela consiga incorporar baunilha e toques gourmands a Venice sem trair a coerência olfativa que tenta criar dentro do universo de Chanel. Assim, em Venise temos um perfume apropriado para o calor para aqueles que nas temperaturas mais altas do ano sentem falta de um toque de baunilha e caramelo em suas fragrâncias.