13 de mai. de 2020

Jardins d'Ecrivains Alcools - Avaliação Perfume

Disclaimer: essa avaliação reflete as opiniões e experiências  somente do autor do blog. Não recomendamos a compra no escuro com base nela.

Alcools é certamente um nome excêntrico para um perfume mas é um que reflete muito bem o caráter excêntrico e interessante da Jardins d'Ecrivains e sua fundadora, Anaïs Biguine. Com uma marca cujo o nome significa Jardins de Escritores, Anaïs criou um portfólio de perfumes justamente inspirado em autores famosos e desconhecidos na história da literatura e o fez associando suas personalidades aos jardins que os cercavam.

Alcools faz parte de uma coleção chamada la Pléiade e que reflete o suprassumo da literatura francesa, com obras que são publicadas em luxuosas edições com capas de couro, ecoado nos perfumes nos cases de couro das fragrâncias. O nome é uma referência a uma coleção de poemas do poeta francês Guillaume Apollinaire. Apollinaire pode parecer um nome obscuro a muitos mas foi um importante crítico literário e poeta, inventor da palavra Surrealismo e autor de manifesto relacionado ao movimento Cubista.

A princípio estranhei que o perfume Alcool fosse um aroma tão bruto de couro e bétula, porém entendo que isso seja intencional, para refletir uma obra literária que aboliu a pontuação, exerceu o verso livre e procura inovar esteticamente. Por isso aqui há uma subversão a harmonia e ordem de evolução do perfume na pele, com um aroma defumado e de couro correndo livre nos primeiros minutos na pele. Poderia ser visto também como a primeira impressão olfativa de quem abre um renomado livro contido em uma capa de couro de qualidade.

Depois que passa essa primeira impressão Alcools evolui para algo mais oriental e até mesmo especiado, algo fluído onde notas de fundo, de corpo e de saída parecem facilmente se misturar. Há algo intrigante na pele, um aroma que remete a canela e com um leve toque de açúcar. Essa nuance olfativa acontece misturado ao cheiro quente e adocicado de resinas em contato com ervas amargas e o aroma amendoado de tonka e do benjoin. É um perfume que subverte expectativas, harmonias e fases e que de fato soa como a obra e o autor que ele homenageia.

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