20 de mai. de 2020

Mendittorosa Ithaka - Avaliação Perfume



Em termos de perfume como um conjunto completo de conceito artístico, fragrância e apresentação a Mendittorosa mostra que é mestra nessa arte lançamento após lançamento. A marca mostra-se criativa em sua perfumaria como arte de exploração mística e pessoal e após temas como Tarot, Vulcões, Planetas e Estrelas a Mendittorosa se volta para a poesia como forma de expressão artística.

Ithaka é o início de uma trilogia que propõe um diálogo entre poesia e perfumaria e a escolha não poderia ser melhor. Baseada em um poema do autor grego  C. P. Cavafy e homenageando a mítica cidade que faz parte da Odisséia de Homero, tanto o poema como o perfume são um ode a jornada da vida como o principal motivo de existência. Ithaka é um convite à aproveitarmos a jornada de existência mais do que focarmos no objetivo final da jornada.

A marca se inspira em um dos versos do poema onde o eu poético aconselha o leitor a aproveitar os pontos de comércio da Fenícia para comprar as coisas finas da vida, entre elas o máximo de perfumes sensuais que a pessoa puder. A ideia aqui me parece ser então oferecer um perfume com uma aura remota ao mesmo tempo que moderna e sensual.

Similar a outros lançamentos recentes, Ithaka vai numa direção menos desafiadora e mais direta e certamente irá surpreender que espera um perfume carregado nos incensos e resinas aromáticas que são listadas na pirâmide da composição. O perfume utiliza o incenso como fio condutor, mas dando ênfase ao lado mais mineral e leve do incenso, combinando com um floral leve e aquoso. Da mesma forma que Sirio, as resinas utilizadas aqui se mostram de maneira mais distante ainda que um pouco mais potentes na composição, dando um contorno mais adocicado e ambarado a uma fase final onde predomina madeiras de aroma discreto e musks.

Me sinto divido com relação a Ithaka. Ao mesmo tempo que não considero certo criticar a performance de um perfume onde o conceito é justamente aproveitar a jornada e não o destino eu acredito que um poema épico inspirado em uma jornada épica deveria ter um perfume não menos do que épico também. Talvez essa seja uma jornada que funcione melhor em dias mais quentes, onde o lado moderado e resinoso da composição certamente irá brilhar mais.