12 de mai. de 2020

Puredistance Aenotus - Avaliação Perfume






Ao lançar Aenotus a Puredistance faz uma celebração interessante de seus 10 anos de vida. Ao refletir sobre seus luxuosos perfumes Jan Ewoud sentiu a falta de ter na coleção um perfume que fosse sua assinatura olfativa e desde 2015 começou a trabalhar com o perfumista Antoine Lie na criação um que fosse especial. Partindo de uma palavra imaginária derivada da inspiração mítica original no Deus Grego dos ventos, Aeolus, surge então Aenotus com a promessa de um frescor cítrico e duradouro.

O desafio que Jan e Antoine Lie se proporam ao criar um perfume assinatura com Aenotus foi o de ir em uma direção onde isso é bem difícil de se obter distinção: perfumes cítricos e frescos. Aenotus tinha o desafio de ser diferente dos milhares de perfumes frescos e de criar uma assinatura olfativa fresca e duradoura, que se transformasse em um perfume sensual e de pele.

Há um nível altíssimo de concentração em Aenotus, 48%, o que certamente é um grande desafio para se obter frescor visto que é o álcool que ajuda a carregar as notas mais voláteis e o frescor depende em partes justamente desse processo de difusão da pele para o ar. Essa volatilidade carrega boa parte do agradável frescor cítrico e tentar encontrar um forma de segurar isso não é apenas uma questão de aumento de concentração, é um processo de engenharia olfativa para conseguir o melhor equilíbrio entre os diferentes elementos que permitam tanto o aspecto cítrico como a duração na pele e a maciez e sensualidade.

Conforme esperava Aenotus utiliza uma boa dose de musks bem calibrados para obter seu aroma duradouro, macio e segunda pele sem que a alta concentração o torne um perfume pesado e sem que isso abafe os cítricos. A maior surpresa para mim em Aenotus é justamente criar a sensação cítrica a partir de uma fruta que costuma ser evitada justamente pelas suas conotações sanitárias: limão. Aenotus é como um vento cítrico de um limão adstringente e meio amargo ao mesmo tempo que trás a tonalidade alegre e luminosa da flor do limão. De fundo temos um frescor mentolado aromático que cria complexidade ao acorde cítrico principal.

Aenotus não tenta segurar artificialmente os cítricos na pele, mas faz uma transição para algo sensual, macio e interessante. Em vez de termos uma base achatada de musks o perfume continua a evoluir mesmo nessa fase, mostrando diferentes facetas do que é sensual e segunda pele e complementando isso com materiais ambarados e potentes utilizados na medida para que o perfume não suma do olfato. Aqui noto musks que parecem criar a ilusão das últimas fases cítricas na pele, musks que criam a maciez funcional e ainda musks que sugerem aspectos animálicos que remontam aos tempos clássicos da perfumaria.

Esse blend de musks garante a Aenotus uma alta performance mesmo que seu aroma não seja super potente. Ainda sim é interessante como seu aroma cítrico se espalha pelo ambiente onde Aenotus foi aplicado, como se fazendo justo a sua inspiração divina os ventos carregassem pelo ar seu aroma cítrico e sensual. Aenotus consegue com sucesso ser um cítrico diferenciado e intrigante ao mesmo tempo que é um estudo sobre musks.