18 de mai. de 2020

Santapele Salve São Paulo e Salve Rio de Janeiro - Avaliações Perfumes

A marca de produtos de SPA associada ao hotel Emiliano é mais uma daquelas que eu vejo tanto do que é tendência no momento que eu me pergunto qual é autenticidade do discurso que é vendido aqui - isso é feito por ser uma essência da marca ou apenas pois está na moda e vende? A História da Santapele é um ecoclichê e dá para fazer um checklist - Ausência de testes em animais?  Preocupação com o meio ambiente e repeito a natureza? Empoderamento feminino?  Uso de ativos naturais? Fragrâncias sem gênero? Tudo presente aqui, numa espécie de discurso autogerado de pseudopreocupação corporativa.

Os perfumes que a marca lançou em homenagem a São Paulo e Rio de Janeiro para mim evidenciam o como isso é discurso para parecer correto em vez de preocupação essencial. Aliás, as duas fragrâncias que homenageiam São Paulo e Rio de Janeiro parecem mais clichês feitos para vender a estrangeiros do que fragrâncias que realmente homenageiam as duas cidades e suas histórias e conexões. Certamente são fragrâncias condizentes tecnicamente com o preço e o luxo proposto, mas são histórias vazias de significado.

Dos dois clichês São Paulo é o que entrega um conceito criativo bem fraco, mas um que pelo menos acerta na execução do perfume que entrega. Ainda que a conexão seja com o que é considerado o centro comercial de São Paulo, a SantaPele faz um perfume urbano que poderia ser qualquer cidade ao redor do mundo. Chega a ser irônico que a marca enfatize tanto a parte natural de sua filosofia mas entregue um perfume que se beneficie justamente de excelentes sintéticos.

Uma base muito bem feita de sândalo, musk e cashmeran projeta um aroma amadeirado mineral e potente sob o qual irradia um jasmim luminoso com uma abertura de cardamomo que trás o lado especiado fresco e cremoso da especiaria. Não é um perfume que transmite o natural ou que acrescenta algo que faça alguma ligação genuína com São Paulo, mas ainda sim é um excelente perfume feito para agradar em massa.

Salve Rio de Janeiro mira sem pudor nenhum a cidade que é mais explorada em termos de clichês de perfumaria, mas o comprometimento com o clichê é tão grande que a entrega é satisfatória. Propondo uma fragrância fresca e exuberante para a cidade maravilhosa, o perfume abre com uma explosão cítrica de diferentes nuances - um frescor vibrante, sexy e muito agradável, um que mistura tonalidades adocicadas, verdes e até mesmo aromática para a saída cítrica que propõe. Isso evolui para um corpo floral cítrico que é leve e suficientemente unissex e termina numa base mais discreta e rente a pele.

Salve Rio de Janeiro parece ter sido feito como o perfume para ser reaplicado por cima de Salve São Paulo, cuja as notas de base potente devem segurá-lo mais tempo na pele. Juntos ele oferecem às cidades que homenageiam uma visão bonita ainda que vazia de qualquer significado mais interessante e autêntico.