8 de jun. de 2020

Parfums Dusita Le Pavillon D'Or - Avaliação Perfume


Alguns podem argumentar que em estilo de composição olfativa Pissara Umavijani evoluiu nos últimos anos sua marca Dusita em uma direção mais contemporânea do que vintage. Eu diria que isso talvez seja olhar de maneira reducionista tanto a perfumaria do passado como o que a própria Dusita tem feito.

Pissara tem desenvolvido um trabalho autoral que foca em uma perfumaria artística, pessoal e que favorece uma evolução orgânica de seu trabalho em vez de lotar o mercado de lançamentos. A perfumista e dona da marca seleciona nobres materiais sintéticos e naturais e os equilibra cuidadosamente de maneira a contar algo que é novo e familiar ao mesmo tempo, simples e complexo da forma como é contado. Ela captura a essência da perfumaria do passado e não apenas uma imitação caricata da mesma.

Em Pavillon D'Or a perfumista recorre a mais um dos poemas de seu amado pai e faz uma referência a um templo dourado em Ayutthaya, antiga capital da Tailândia. Nas duas inspirações há algo em comum, uma reverência à natureza e um estado contemplativo e espiritual de composição. Procurando preservar isso a perfumista oferece aqui um aroma impressionista que mescla incenso, flores exóticas e nobres e ervas aromáticas.

Pavillon D'Or é um perfume difícil de interpretar as nuances, parecendo oscilar entre as cores verde, branco e um tom distante de dourado. As impressões acabam sendo subjetivas devido a isso. Sua saída me remete ao cheiro de folhas verdes, gálbano e algo mentolado discreto. O corpo que vêm logo em seguida faz mais referência às flores e oscila entre o dourado e o verde: a borônia e a madressilva criam um corpo floral nobre, sofisticado e que mescla o cheiro de flores verdes, pétalas brancas e um leve toque de mel floral para criar a aura dourada da composição.

Mantendo esse estado sagrado de contemplação da natureza eu vejo um perfume que finaliza com um leve toque de incenso, um discreto aspecto atalcado e uma base amadeirada cremosa e delicada, criando um aroma segunda pele que é sofisticado, sutil e persistente. O perfume vende muito bem uma aquarela impressionista de flores, incenso, ervas e madeiras e trás o que de fato encanta na perfumaria do passado, luxo olfativo aliado a um produto onde a ênfase é primeiro no perfume em si e depois no resto.