5 de jun. de 2020

Yves Saint Laurent Tuxedo - Avaliação Perfume



Minha associação olfativa e afetiva com os perfumes clássicos da Yves Saint Laurent me impedem de amar a nova fase da marca. Yves Saint Laurent não foi apenas icônico na moda, foi também na perfumaria, com perfumes clássicos e perfumes ousados como Kouros, Opium, Nu, Rive Gauche, M7, Yvresse, Cinema, Paris. É um legado pelo qual a marca passou por cima em boa parte de sua nova fase para que se tornasse mais comercial e rentável.

É somente uma visão bem comercial e que encara a perfumaria como negócios que fez que a YSL se tornasse numa marca jovem vazia de ousadia e cheia de uma elegância calculada. A coleção Vestiares de Parfums é exclusiva não por ter uma visão distinta e diferente e sim por uma exclusividade calculada comercialmente para vender e transmitir o que é visto como exclusivo.

Pelo menos pode ser dito que Tuxedo de fato conta a história que se propõe a contar e comparado com o que marca tem feito atualmente é algo que para seu público mais jovem poderia ser visto como sofisticado e mais luxuoso. Se propondo a ser uma interpretação de ousadia da peça masculina que YSL transformou em um ícone feminino de sedução Tuxedo é um perfume amadeirado de nuances especiadas e atalcadas que não faria como uma criação comercial mais adulta - tanto é que a grife Rochas basicamente o recriou ao lançar sua concentração EDP do clássico repaginado moustache.

Tuxedo transita entre o universo masculino e feminino ao trazer um patchouli que não é nem amadeirado e terroso e nem muito adocicado e luminoso como num chypre moderno. O patchouli ganha contornos amadeirados e minerais com o cedro.Por cima disso temos um perfume de especiarias que fica entre o fresco e o seco e um aroma de violeta construído para evocar tanto o lado mais floral como o aspecto mais verde das folhas. Tudo aqui é harmônico, equilibrado e soa luxuoso, mas nada realmente sedutor de uma maneira impertinente e ousada como Yves Saint Laurent de fato foi em seus dias de glória.